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8 Agosto 2022

Volta: Primeira amarela foi para um sul-africano

Clique para ampliar O cronómetro decidiu e a primeira camisola amarela da 74.ª Volta a Portugal em bicicleta foi este domingo parar ao corpo do sul-africano Reinardt Van Rensburg, uma decisão contestada pelo português Hugo Sabido, derrotado por milésimos de segundo.

Empatados com os mesmos 02.48 minutos, Reinardt Van Rensburg e Hugo Sabido precisaram de um decisor para definir quem seria o primeiro dono da camisola amarela. E aí o cronómetro decidiu em favor do ciclista da MTN Qhubeka, para descontentamento do português que garantia que o seu conta-quilómetros marcava um tempo inferior ao dado pela empresa responsável pelos tempos, que é gerida pelo diretor desportivo da Efapel-Glassdrive, Carlos Pereira.

A polémica tomou proporções, foi apresentada uma queixa ao colégio de comissários que acompanha a Volta a Portugal, com recurso a provas, neste caso uma fotografia da imagem televisiva e a própria bicicleta do ciclista da LA-Antarte, e depois de algum tempo de espera, a decisão manteve-se: era Van Rensburg o vencedor do prólogo e, portanto, o primeiro camisola amarela.

“Estou muito contente, foi uma vitória difícil”, disse o sul-africano, que está pela primeira vez em Portugal, país onde só chegou há dois dias.

Haverá poucas especialidades tão imprevisíveis no ciclismo como o prólogo, sobretudo quando o percurso são meros 2,2 quilómetros, compostos por partes de alcatrão, uma subida curta e acentuada, uma curva apertada, mesmo antes da entrada na reta empedrada que vai dar à meta.

Comprovou-o Dmitry Sokolov, o russo da Lokosphinx que foi dos primeiros a partir (17.º de 149 ciclistas) e se manteve na liderança durante praticamente uma hora até Reinhardt Van Rensburg cortar a linha com um tempo estratosférico.

O sul-africano, de 23 anos, que tem como sonho ser o primeiro campeão do mundo vindo de África – “seria muito grande consegui-lo” -, mostrou porque é um dos ciclistas mais vitoriosos esta temporada (tem 13 triunfos, entre os quais se contam a camisola de campeão nacional de contrarrelógio ou o primeiro lugar na Volta a Marrocos), voando em Castelo Branco.

Dominador do panorama velocipédico sul-africano, Reinardt Van Rensburg tem vindo aos poucos a “intrometer-se” no pelotão europeu. Vencedor do circuito de Wallonie, na Bélgica, da Ronde van Overijssel, na Holanda, e da Volta à Grã-Bretanha, o jovem que se estreou nas corridas aos 11 anos e que teve uma bicicleta profissional aos 13 está a cumprir, como nenhum outro, a missão a que a sua equipa se propôs.

A MTN Qhubeka quer ganhar e ganhar até conseguir despertar a atenção do ciclismo europeu, de modo a, num futuro próximo, alcançar o sonho de ser convidada para a maior de todas as provas, a Volta a França, e tem no ciclista de Pretória o seu “ponta de lança”.

“Não podia pedir mais. Voltei ao sítio onde estava quando deixei as corridas na Europa”, congratulou-se o camisola amarela que, agora, garante que tudo o que vier a mais – dias de amarelo, vitórias de etapa – será “um bónus”.

A velocidade de Reinardt Van Rensburg, que no seu blog pessoal confessou a 23 de julho ter estado a treinar-se no contrarrelógio com vista à Volta a Portugal, foi traiçoeira para as aspirações portuguesas: primeiro foi José Gonçalves (Onda) a mostrar a sua frustração por não pedalar suficientemente rápido para a amarela, seguiu-se-lhe Samuel Caldeira (Carmim-Prio) a cerrar os dentes sem sucesso e depois surgiu Hugo Sabido.

“Assim que cortei a meta disseram-me que não tinha chip. O meu conta-quilómetros marca menos quatro segundos do que o tempo real. Já estou a ficar habituado a que estes problemas aconteçam”, lamentou o vencedor do prólogo da Volta2011, remetendo todas as explicações para “a empresa que gere os cronómetros”.

Para o ciclista da LA-Antarte, a única justificação para o eventual erro nos tempos prende-se com a rivalidade da sua equipa com a Efapel-Glassdrive, que tem conhecido vários episódios, sendo o último a ausência da formação de Paredes do Grande Prémio Efapel-Glassdrive.

“Isto já vem a correr mal desde o ano passado, quando na primeira etapa em linha tínhamos com o mesmo tempo o Sabido e um ciclista desta equipa e devíamos continuar de amarelo e não continuámos. Passado três horas é que nos vieram dizer que o tempo do Sabido no dia anterior tinha sido mais umas centésimas. É lamentável”, defendeu o diretor desportivo Mário Rocha.

A polémica promete continuar já esta quinta-feira, na 1.ª etapa da Volta a Portugal2012, uma ligação de 200,8 quilómetros entre as Termas de Monfortinho e Oliveira do Hospital, já que a LA-Antarte ameaça correr sob protesto.

FONTE: Bomdia.lu

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