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10 Agosto 2022

Ucrânia: Negociadores russos e ucranianos reunidos de novo na Bielorrússia

A terceira ronda de conversações entre russos e ucranianos para tentar encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia começaram hoje à tarde, na Bielorrússia, perto da fronteira polaca, noticiaram agências noticiosas russas e bielorrussas.

“A terceira ronda de conversações começou em Belovezhskaya Pushcha”, um parque nacional na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia, noticiou a agência oficial bielorrussa Belta na rede social Telegram, citada pela agência francesa AFP.

A Belta ilustrou a notícia com uma fotografia dos elementos das duas delegações sentados à mesa de negociações.

O início do encontro também foi confirmado nas redes sociais pela embaixada da Rússia em Minsk, segundo a agência oficial russa TASS.

Antes do início do encontro, o chefe da delegação russa, Vladimir Medinsky, disse que os negociadores iam discutir três blocos de questões, nomeadamente, “resolução da política interna, aspetos humanitários internacionais e resolução de questões militares”, segundo o relato da TASS.

Medinsky disse que a delegação russa tentará discutir de novo a questão dos corredores humanitários, com que as duas partes tinham concordado na ronda anterior, realizada na quinta-feira.

A medida destina-se a retirar civis de zonas de combates e a entregar alimentos e medicamentos, mas não foi aplicada com sucesso até agora, com ambas as partes a responsabilizarem o lado contrário.

“Os nacionalistas que tomaram posições nas cidades continuam a manter lá civis e a utilizá-los direta e indiretamente, inclusive como escudos humanos, o que é obviamente um crime de guerra”, disse Medinsky na televisão estatal russa.

Também a Ucrânia acusou hoje a Rússia de voltar a sabotar a abertura de corredores humanitários nas regiões de Kiev, Kharkiv, Donetsk e Kherson, continuando os bombardeamentos.

“Isso impossibilita a saída segura de comboios humanitários que transportam cidadãos ucranianos e estrangeiros, bem como a entrega de medicamentos e alimentos”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, num comunicado.

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) denunciou hoje que um corredor humanitário a partir de Mariupol estava minado e impediu a retirada de civis daquela cidade do sul da Ucrânia, na costa do Mar de Azov.

“O problema ou o desafio é trazer ambas as partes para um acordo concreto, exequível e preciso”, disse o diretor de operações do CICV, Dominik Stillhart, à televisão britânica BBC.

A primeira ronda de negociações entre a Rússia e a Ucrânia realizou-se em 28 de fevereiro, quatro dias depois do início da invasão.

A decisão russa desencadeou uma guerra com um balanço ainda por determinar de mortos e feridos, tanto militares como civis, que poderá ser da ordem dos milhares, segundo diversas fontes.

Após 12 dias de combates, a guerra também levou 1,7 milhões de pessoas a fugir da Ucrânia para os países vizinhos.

A ONU disse que se trata da crise de refugiados com o crescimento mais rápido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

A invasão foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas contra Moscovo.

A guerra na Ucrânia gerou uma onda popular de solidariedade para com o povo ucraniano, e de condenação da Rússia, em vários países do mundo, com destaque para os europeus.

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