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8 Agosto 2022

Serralves já tem 25 anos

Clique para ampliar Serralves comemora esta semana 25 anos da abertura ao público, então ainda só com a Casa e parte do jardim visitáveis, mas com o futuro museu e parque no horizonte.

A entrada gratuita é a prenda que a Fundação decidiu dar ao público para assinalar a data em que o então primeiro-ministro, Cavaco Silva, inaugurou a Casa de Serralves, num dia que a arquiteta paisagista Teresa Andresen, que fez parte da comissão instaladora, lembra “que não foi um ‘Serralves em Festa’, mas teve dezenas de pessoas presentes”.

Cristina Lapa, que trabalha na Fundação desde esse primeiro dia, recorda o momento “como o abrir de uma caixinha de surpresa para o mundo“.

Então com 19 anos, estava integrada num programa de Ocupação dos Tempos Jovens, que se ocupava de guiar as visitas restritas ao Parque que só abriria, já recuperado, um ano depois.

“Eramos um grupo de miúdos, não tínhamos a noção que Serralves se ia transformar naquilo que é hoje, com este peso. Sabíamos que ia ter um museu, mas era uma coisa virtual”, lembra Cristina Lapa.

Já Teresa Andresen recorda que “a intenção de Teresa Patrício Gouveia e do professor Fenando Pernes era muito evidente”.

“A Casa de Serralves foi comprada para que no Porto se fizesse o Museu Nacional de Arte Moderna, conceito que evoluiu para o de Museu de Arte Contemporânea. Ou seja, o conceito evoluiu, mas sempre foi nessa perspetiva, de uma grande instituição cultural, uma instituição museológica orientada para as artes“.

Teresa Patrício Gouveia era então secretária de Estado da Cultura e com Fernando Pernes, o primeiro diretor artístico de Serralves, foram figuras essenciais para que se pudesse chegar a esse primeiro dia há 25 anos.

Segundo se pode ler no livro “Serralves – 20 anos e outras histórias”, do jornalista Sérgio Andrade, as primeiras exposições que se puderam ver na casa cor-de-rosa foram “Obras doadas e cedidas para o futuro MNAM”, “viena, 1900” e “Obras de uma coleção particular (Paula Cooper, Nova Iorque) e que, recorda Teresa Andresen, vieram materializar “um sonho que vinha dos anos 70 do Museu Nacional Soares dos Reis”.

Foi o dia de uma cerimónia oficial, mas também um dia de espanto para muitos visitantes, mesmo para os vizinhos de Serralves, que praticamente só conheciam os muros da extensa propriedade.

“As pessoas estavam fascinadas e os comentários eram incríveis”, lembra Cristina Lapa, que os recorda a interrogar-se como era “ incrível isto ser só duma família”, como era “possível isto estar fechado”, ou ainda orgulhosos “por isto agora ser nosso” ou por ter “vindo para o Porto”.

Tersa Andresen, que foi ainda diretora do Parque e ainda hoje mantém uma ligação através da Universidade do Porto, não tem dúvidas que há muitos motivos de orgulho nesta história de 25 anos.

“Não é por ser um projeto de sucesso, é pelo que ele significa, pelos seus conteúdos e pelo impacto que tem tido numa população imensa, não só no Porto, mas muito além”, sustenta a arquiteta paisagista.

“Serralves tem um índice de visita turística muito elevado, que tem crescido nos últimos anos e tem outro significado, que são mais de 100 mil pessoas por ano que participam nos programas educativos. Portanto, é incontornavelmente uma instituição com grande impacto na construção da cidadania no Norte de Portugal e do conhecimento das artes e do ambiente, que é aquilo para que Serralves foi criado”, conclui Teresa Andersen.

Para Cristina Lapa, que está em Serralves desde os tempos “em que tinha de fazer de tudo” até ao grande museu que é hoje, Serralves é “um local bonito” onde se “trabalha pela paixão”.

FONTE: Bomdia.lu

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