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3 Dezembro 2022

Portugal é porta de entrada da droga na Europa

Clique para ampliar Portugal e Espanha continuam a ser importantes portas de entrada de droga na Europa, apesar da mudança drástica das rotas para a África Ocidental, alerta o diretor adjunto de operações da Europol.


“Infelizmente, Portugal e Espanha ainda estão nas rotas, devido às suas extensas áreas de costa e os grandes portos”, com os grupos de narcotráfico a usar pequenos barcos e aviões, disse Troels Oerting, em declarações à agência Lusa, à margem do “Simpósio Transatlântico sobre Desmantelamento das Redes Ilícitas Transnacionais”, a decorrer em Lisboa.

A rota do narcotráfico “mudou drasticamente para a África ocidental, que é hoje a maior plataforma de passagem de drogas”, mas “a Península Ibérica é ainda uma área muito importante para as entradas de cocaína e cannabis”, afirmou este responsável da Europol.

A maior preocupação, contudo, é o envolvimento de grupos terroristas do norte de África nas redes internacionais de crime organizado.

“Não sabemos até que ponto vai o envolvimento destes grupos terroristas, mas é uma preocupação da Europol olhar para esta área”, frisou Troels Oerting, um dos oradores no simpósio que decorre em Lisboa até quinta-feira.

Outra tendência observada pelo Serviço Europeu de Polícia (Europol) é que “algum do transporte de droga mudou para a zona Este do Mediterrâneo”, com a heroína vindo por exemplo do Afeganistão para a Turquia, num processo em que depois entram os grupos da África Ocidental que trocam cocaína por heroína.

Troels Oerting revelou ainda que “muito dos grupos de narcotráfico internacionais estão a trabalhar mais juntos, são mais cooperantes entre eles, ao ponto de partilharem barcos, aviões, camiões e outros meios”.

Por isso, sublinha, as várias forças de luta contra o narcotráfico têm de “também trabalhar mais em conjunto, partilhar mais informação, porque não é possível construir um muro nem controlar cada um dos 600 milhões de contentores que circulam pela Europa”.

“Temos de ir ao contentor certo, mas mais do que isso, temos de ir atrás do dinheiro e da organização, em vez de irmos atrás da jovem pobre que serve de correio de transporte”, defendeu.

“Se a mesma pessoa tem um iate em Espanha, uma casa em Portugal e uma ´penthouse´ na Bulgária, temos de juntar isto tudo e na Europol tentamos fazer isso”, explicou.

Bomdia.lu

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