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3 Dezembro 2022

Pedro Rupio: “Terão finalmente um porta-voz junto da comuna, que tanta falta faz há vários anos”

Aos 28 anos, Pedro Rupio é candidato às eleições comunais pela lista do Burgomestre Charles Picqué. Com formação em Gestão de Marketing, este luso-descendente é empregado bancário, Conselheiro das Comunidades Portuguesas (CCP) e frequenta ainda um bacharelato em Ciência Política nas Faculdades Universitárias Saint-Louis.

NCF: O que é que o levou a candidatar-se?
PR: Há já cerca de cinco anos que estou envolvido no domínio político. Em 2008, fui eleito para o Conselho das Comunidades Portuguesas e fui ganhando experiência política. Neste contexto de eleições comunais belgas, surgiu a oportunidade de me apresentar. É uma evolução natural.

NCF: Quais são as suas prioridades para a Comuna de Saint-Gilles?
PR: A comuna transformou-se totalmente em 30 anos. Apesar de continuar a ser uma das comunas mais pobres do país, Saint-Gilles tem melhorado de forma significativa. Mesmo observando imensas melhorias, a equipa do Burgomestre tem a ambição e a motivação de fazer ainda melhor. Em Saint-Gilles, existe uma alta taxa de desemprego, principalmente junto dos jovens com menos de 25 anos. É primordial apostar nesse sector e concentrar acções no domínio da instrução pública, nomeadamente implementando mecanismos que derrotem o abandono escolar. Por outro lado, o movimento associativo deve merecer muito mais atenção por parte da comuna e tornar-se num verdadeiro aliado. Conhecendo o terreno como ninguém e com um melhor apoio e enquadramento das autoridades comunais, o movimento associativo de Saint-Gilles poderia tornar-se ainda mais forte no que diz respeito à melhoria do acesso ao emprego, da segurança e da luta contra o abandono escolar. Também espero tornar-me no braço direito de uma comunidade que tanto admiro. Somos muitos portugueses em Saint-Gilles, mas contrariamente aos marroquinos, espanhóis ou italianos, nunca conseguimos eleger um português. Penso que chegou esse momento. Dessa forma, as associações, os comércios e os próprios particulares terão finalmente um porta-voz junto da comuna e que tanta falta faz há vários anos.

NCF: Como é que poderá contrariar a fraca participação cívica dos portugueses nas eleições comunais?
PR: Esse trabalho já foi feito durante a pré-campanha, que tinha como objectivo inscrever um máximo de estrangeiros nas listas eleitorais até 31 de Julho. Quando comecei esse trabalho em Março, estavam inscritos apenas 140 portugueses num universo de cerca de 2 100 eleitores portugueses em Saint-Gilles. Hoje, somos 421 eleitores portugueses inscritos para votar em Saint-Gilles: triplicámos o número de inscrições e conseguimos passar à frente das comunidades italiana e espanhola, que levavam muito avanço à partida. Isso dá-me orgulho de ser português, mas sempre soube que tínhamos força e potencial para chegar a esse fantástico resultado. Actualmente, as autoridades belgas vêem-nos com muito mais respeito. Independentemente de se conseguir eleger um português ou não, já alcançámos uma grande vitória.

NCF: Durante a campanha, tem notado uma maior motivação por parte da comunidade emigrante para exercer o seu direito de voto ou não?
PR: Sim, tenho sentido essa motivação. A prova disso é que as inscrições aumentaram 300%.

NCF: É possível resumir a sua acção política em três palavras?
PR: Dinamismo. Proximidade. Comunidade.

NCF: Acredita que é possível mudar a situação de não haver nenhum português eleito na comuna de Saint-Gilles?
PR: Tendo em conta que cerca de 420 portugueses estão inscritos para votar em Saint-Gilles e contando com os eleitores belgas de origem portuguesa, existe o potencial necessário para eleger um compatriota, pois basta uma média de 350 votos para eleger um conselheiro comunal.

Patrícia Posse

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