7.3 C
Bruxelas
26 Novembro 2022

Pais não estão preocupados com propinas

Clique para ampliar O deputado social-democrata Carlos Gonçalves afirmou, após reuniões com pais de alunos portugueses na Suíça, que estes estão mobilizados para que o novo modelo de ensino de português no estrangeiro seja um sucesso.

“O sentimento que eu tenho é que há uma grande mobilização por parte dos pais dos alunos – e quero acreditar que a mobilização é extensiva também aos professores – para que o periodo de inscrição que começou esta semana e que decorre até ao fim de abril possa ser um sucesso”, disse o deputado pela Europa.

Carlos Gonçalves falava à Lusa por telefone, durante uma visita às comunidades portuguesas em Genebra e Lausanne e referia-se às novidades anunciadas na semana passada pelo secretário de Estado das comunidades, José Cesário, relativamente ao Ensino de Português no Estrangeiro (EPE).

Segundo o governante, os alunos que queiram ter aulas de português no estrangeiro no próximo ano letivo vão ter de fazer uma pré-inscrição ‘online’ e os que frequentam o ensino paralelo, que são a maioria, passam a pagar uma propina anual de 120 euros. “Como contrapartida recebem o manual escolar e têm acesso à certificação dos conhecimentos”, disse então o secretário de Estado.

Hoje, o deputado social-democrata afirmou ter encontrado junto dos representantes dos pais com quem se reuniu “uma grande recetividade a uma medida do governo que permite restituir dignidade e alguma avaliação ao EPE”.

“É evidente que os pais estao sempre preocupados com questões técnicas e práticas – de que forma é feito o pedido online, ou que a oferta possa diminuir – porque há muita especulação. Mas percebi claramente que há uma grande recetividade à questão da certificação, que era um grande desejo das comunidades”, disse.

Confrontado com as declarações do porta-voz da Comissão de Pais de Zurique, Domingos Pereira, que na semana passada afirmou à Lusa que “o descontentamento é geral entre os encarregados de educação e serão muitos os que se recusarão a pagar”, o deputado social-democrata afirmou ter-se reunido com “vários pais de alunos e alguns dirigentes de comissões de pais” e “não pareceram ter essa opinião”.

Sobre os 120 euros de propina, Carlos Gonçalves considerou que “10 euros por mês (…) não parece um encargo extraordinário”, tendo em conta que este valor inclui o manual escolar, “que em alguns casos é quase metade do valor da propina”, e permite pagar o processo de certificação e fomentar a formação dos professores.

“Não tive nenhum pai que desse esta como razão principal” de queixa sobre o EPE, disse.

Na visita à Suíça, o deputado reuniu-se também com as missões católicas portuguesas de Genebra e Lausanne e, recordando que aquele país recebe desde 2006 cerca de 12 mil portugueses por ano, admitiu que o fluxo possa aumentar, não só devido à crise em Portugal, mas também porque países como a Espanha deixaram de ter condições para acolher a emigração portuguesa.

Admitiu que haja portugueses em situações sociais difíceis e considerou necessário haver um acompanhamento específico. “Parece-me que está a ser feito. O secretário de Estado anunciou no parlamento a criação das permanências sociais, uma novidade muito interessante e de proximidade”, disse.

José Cesário anunciou na semana passada ter dado orientações aos postos consulares para que técnicos de assistência social e juristas possam deslocar-se aos locais onde são necessários, à semelhança do que fazem os técnicos dos consulados nas permanências consulares.

FONTE: Bomdia.lu

[ Aulas de português no estrangeiro com uma propina anual de 120 euros ]

Artigos relacionados

Últimos artigos