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18 Agosto 2022

Oliveira homenageado na Assembleia da República

Clique para ampliar A presidente da Assembleia da República (AR), Assunção Esteves, elogiou “a intensidade ética” do cinema de Manoel de Oliveira, numa homenagem ao realizador de 103 anos, na abertura da nova sessão legislativa no Parlamento.

“Também a política se liga com a ética, do mesmo modo que a estética se liga com a ética, com a diferença de a arte pode ser indiferente aos críticos, mas a política não pode ser indiferente aos críticos”, afirmou Assunção Esteves.

A sessão de homenagem aconteceu esta quarta-feira no salão nobre da AR, tendo Manoel de Oliveira, apoiado na sua habitual bengala, entrado de braço dado com Assunção Esteves.

A presidente da AR recordou que esta iniciativa serviu não só para homenagear o realizador, mas também para concretizar “o envolvimento do parlamento com o grande público. O cinema é um dos meios mais exemplares para conseguir esse envolvimento”.

Sobre o cinema de Manoel de Oliveira, que disse ser uma “interpelação permanente da vida”, Assunção Esteves admitiu ter dificuldade em “sintetizar” “a narrativa longa nos anos e longa na intensidade” e em encontrar palavras “para definir a perfeição”.

Antes da projeção do seu mais recente filme, “O Gebo e a Sombra” (veja o vídeo), Manoel de Oliveira afirmou: “Pelo tempo de crise que atravessamos, economizarei as minhas palavras para agradecer à Assembleia da República esta grande honra que me concedeu. Muito obrigado e viva o cinema!”

O realizador recebeu ainda das mãos de Assunção Esteves uma réplica das chaves do antigo convento dos beneditinos, do século XVI, referindo-se ao espaço sobre o qual se edificou o atual Parlamento.

No salão nobre, onde estiveram cerca de 200 pessoas, entre deputados e cidadãos comuns, notou-se as presenças, entre outros, do secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, do ex-ministro da Cultura Pedro Roseta, das deputadas Gabriela Canavilhas, Inês de Medeiros e Catarina Martins, do filósofo Eduardo Lourenço e da atriz e ex-deputada Maria Barroso.

Pilar del Río, companheira de José Saramago, os atores Luís Miguel Cintra e Leonor Silveira e o diretor do Instituto do Cinema e Audiovisual, José Pedro Ribeiro, também estiveram presentes.

À margem da projeção de “O Gebo e a Sombra”, o ator Ricardo Trêpa, neto do realizador, afirmou aos jornalistas que a homenagem do Parlamento “ajudou bastante [Manoel de Oliveira] e dá-lhe forças para continuar a filmar”.

Aos 103 anos e apesar de revelar uma fragilidade física por causa de recentes problemas cardíacos, Manoel de Oliveira “espera ter a possibilidade física, mental e económica para pôr os projetos cá fora”, disse Ricardo Trêpa, nomeando “A igreja do diabo”, a partir de três contos do escritor Machado de Assis, e um projeto “a partir de Espanha”.

“Projetos não lhe faltam, saúde vai tendo alguma; haja agora o terceiro elemento, que é o dinheiro, para fazer o que mais gosta”, disse.

Ricardo Trêpa reconheceu também que a temática de “O Gebo e a sombra”, a partir de uma peça de teatro de Raul Brandão sobre pobreza, honra e sacrifício, chegará aos cinemas “no iming perfeito”, tendo em conta a conjuntura atual.

“Os tempos que atravessamos são muito difíceis. Talvez isto traga algum despertar”, disse.

Hoje, na escadaria da AR estava também prevista a projeção ao ar livre da primeira longa-metragem de ficção de Manoel de Oliveira, “Aniki Bobó”.

FONTE: Bomdia.lu

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