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28 Novembro 2022

O ano maravilhoso da rainha Isabel II

Clique para ampliar A rainha Isabel II chamou a 1992 o seu ano horribilis, marcado por divórcios na família real, um incêndio no Castelo de Windsor e uma crescente irritação da opinião pública por causa dos privilégios fiscais (entre muitos outros) da coroa britânica. Duas décadas depois, a monarca está a desfrutar de algo completamente diferente: o seu ano mirabilis.

Um ano maravilhoso. As comemorações do jubileu de diamantes, ou seja, dos 60 anos de trono da rainha Isabel II, estão a atrair para Londres um milhão de pessoas para uma festa de quatro dias, com o arranque marcado para este sábado (veja aqui uma fotogaleria com os grandes preparativos da comemoração). Em termos de puro esplendor e pompa, a festa vai esmagar o casamento de seu neto William com Kate no ano passado.

A bordo de uma barca real, a monarca vai liderar um cortejo de 1000 embarcações ao longo do rio Tamisa, numa majestosa cena inspirada num quadro de Canaletto. A rede nacional de 2012 faróis será ligada em sua honra, para iluminar a costa desde as Highlands escocesas até às Channel Islands, já no canal da Mancha. Paul McCartney vai cantar para ela num megaconcerto à porta do Palácio de Buckingham. Elton John, internado com uma pneumonia em Las Vegas na semana passada, garante que também tocará para a rainha.

No entanto, a rainha está a fazer algo mais do que celebrar uma data que a coloca apenas a três anos de distância de se tornar o monarca britânico com mais anos de trono. Numa altura em que os erros de conduta do rei Juan Carlos deixaram a Espanha a avaliar seriamente a sua monarquia, Isabel II também está a marcar simbolicamente o renascimento da casa real britânica, que desafiou todas as probabilidades ao conseguir colocar a nação de novo sobre o seu encanto.

Para uma família que já foi descrita como a mais disfuncional da Grã-Bretanha, e num país onde os sinais de republicanismo eram reavivados ao ritmo das manchetes dos tablóides, a crescente popularidade dos monarcas britânicos deve-se ao que muitos observadores chamam um golpe de relações públicas. Embora o apoio à monarquia tenha sido sempre forte, uma nova sondagem da Ipsos Mori mostra que oito em cada dez britânicos querem manter a monarquia – o valor mais alto desde que estas sondagens começaram a ser feitas nos anos 1980.

Muitos consideram que o casamento que produziu as estrelas globais agora simplesmente conhecidas como Will e Kate foi o responsável por este impulso à Dinastia de Windsor, que conseguiu consolidar esses ganhos ao longo deste ano. Até mesmo o cinzento príncipe Carlos e a sua segunda mulher, Camilla, marcaram pontos junto da opinião pública.

E, mais importante ainda, a geração mais jovem dos Windsor – incluindo aqueles associados pelo casamento, como é o caso de Pippa Middleton, irmã de Kate – emergiram como ícones da cultura pop, rivalizando com estrelas como Lady Gaga ou Rihanna. A sua fama, dizem os especialistas em monarquia, deu à imagem internacional da coroa britânica uma nova aura, como não se via desde o casamento de Carlos e Diana.

No entanto, a monarquia britânica é, hoje mais do que nunca, “ela”, a rainha. “Aos 86 anos, a rainha está a viver o seu regresso ao estrelato”, disse Dickie Arbiter, o ex-porta-voz de Isabel II.

Embora tenha sido publicamente criticada pela sua inacção inicial depois da morte de Diana em 1997, a rainha tem sido quase sempre vista como a cola que mantém unida a nação e como o elo de ligação mais forte com os países da Commonwealth, onde continua a ser chefe de Estado e onde a Grã-Bretanha mantém a sua influência. A rara ocasião do 60.º aniversário de um reinado – só a rainha Victoria chegou tão longe – parece ter focado as atenções britânicas numa mulher que definiu uma era.

Os jornais, tanto à direita como à esquerda, prestam-lhe homenagens de várias páginas e muitas capas. As cidades, grandes e pequenas, estão engalanadas com bandeiras para mais de 10 mil festas de rua. Nas lojas encontra-se de tudo para marcar a data, desde roupa interior retro até champanhe das melhores colheitas. Andrew Lloyd Webber escreveu-lhe uma canção. E o país ganhou dois feriados extra.

FONTE: Bomdia.lu

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