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5 Dezembro 2022

Novas perspectivas além-fronteiras

Clique para ampliar Portugal tem-se revelado, nos últimos tempos, como um país sem oportunidades de emprego e onde o incentivo à emigração se fez ouvir pela voz do próprio Primeiro-Ministro.

De acordo com dados publicados pelo Eurostat (organismo de estatísticas da União Europeia), a taxa de desemprego em Portugal chegou aos 15% em Fevereiro último, o que representa um novo máximo histórico. Portugal está agora no 3º lugar do ranking dos países onde a percentagem da população activa sem trabalho é mais elevada. No topo, estão a Espanha (23,6%) e a Grécia (21,0% em Dezembro de 2011). Os números são ainda mais preocupantes no que diz respeito ao desemprego jovem (abaixo dos 25 anos), que atinge já os 35,4%.

Perante este cenário, os portugueses vêem-se obrigados a encontrar uma alternativa fora de portas. O agravamento da situação económica do País e das condições de vida tem contribuído para o aumento dos fluxos migratórios. Em 2011, 150 mil portugueses abandonaram o País, um número que se aproxima dos picos registados nas décadas de 60 e 70 do século passado. Estima-se que, por ano e em média, 125 mil portugueses atravessam as fronteiras.

Emigrar: uma solução paliativa

Muitos portugueses já protestaram nas ruas contra a falta de emprego e a precariedade laboral, mas a “Geração à Rasca” confirmou que o seu futuro no País estava hipotecado quando ouviu Pedro Passos Coelho: “não censuro que os jovens busquem outras paragens”.

Esta nova vaga de emigração distingue-se da ocorrida em meados do século XX: são jovens, com formação académica, técnica e profissional. À semelhança do que fizeram um dia os seus antepassados, Diogo Lucas Soares e Patrícia Marques partiram em busca de melhores perspectivas de vida em território belga e têm conseguido vingar (conheça os seus percursos nos artigos relacionados). Segundo dados da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, os portugueses representavam 3,13% do total de estrangeiros residentes na Bélgica em 2010, constituindo a 9ª comunidade estrangeira, ou seja, 33 084 portugueses residiam naquele país.

A Pastoral Portuguesa de Saint-Gilles (Bruxelas) tem desenvolvido um trabalho de acolhimento aos emigrantes, o que lhe permite perceber as dificuldades com que se debatem. “Em segundo lugar, começamos a telefonar a pessoas que estão cá há mais tempo e perguntamos se conhecem empresas ou particulares que necessitem de algum serviço na área da construção civil ou dos trabalhos domésticos”, refere a Irmã Inês Senra, que lida regularmente com emigrantes portugueses recém-chegados. A língua é o principal obstáculo e conseguir trabalho “nem sempre tem sido fácil”. “Depois de alguma luta, acabam por arranjar algum trabalho, algumas horas”, acrescenta.

Vêm todos com a “esperança de melhores condições económicas”, mas conscientes de que “as coisas em termos de emprego estão mal”. “Não sei se as pessoas consideram o acto de emigrar como uma decisão acertada ou uma situação de «mal menor»”, revela a benévola.

Os portugueses optam por emigrar com a família: “as idades estão compreendidas entre 6 e 40 e poucos anos, o que quer dizer que, na sua maioria, são casais que têm filhos menores”. A situação socioeconómica é “bastante baixa”, apresentando níveis de escolaridade entre o 4º e o 6º ano. “De um modo geral, trabalham na construção civil, enquanto as senhoras se dedicam aos serviços domésticos, a maior parte em limpezas”, nota a Irmã Inês Senra.

Patrícia Posse

[ Diogo Lucas Soares: “Acabei por ser vítima directa da crise ao não me renovarem o contrato” ]

[ Patrícia Marques: “Acredito que temos potencial, mas continuamos com falta de imagem” ]

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