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30 Novembro 2022

Missões católicas vão ajudar emigrantes

Clique para ampliar Representantes das missões católicas dos seis países com maiores comunidades portuguesas na Europa reúnem-se na quarta e quinta-feira em Lisboa para estudar possíveis respostas às situações de emergência que vivem os novos emigrantes.

No encontro, organizado pela Obra Católica das Migrações, participam responsáveis das missões católicas portuguesas na Alemanha, França, Luxemburgo, Holanda, Reino Unido e Suíça bem como elementos das Caritas destes países.

Casos de portugueses em carência extrema na Europa, principalmente na Suíça, denunciados pelas missões católicas alertaram nos primeiros meses deste ano para os problemas que enfrentam os novos emigrantes e levaram a Igreja a suscitar a discussão sobre estratégias de resposta à nova vaga de emigrantes, que o Governo estima se cifre em 120 mil a 150 mil saídas anuais.

“Continuam a chegar pessoas em situações precárias. Não há muito mais saída para as pessoas que estão em Portugal e a situação está a agravar-se. (…) As pessoas estão a emigrar sem contrato de trabalho ou qualquer relação e é aqui que está o problema. Partem numa autêntica aventura”, disse à agência Lusa Francisco Sales, diretor da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM).

O religioso adiantou que a denúncia dos casos na Suíça gerou “grande abertura” dos consulados ao trabalho das missões e alertou para os perigos de uma emigração desinformada.

“Na Suíça existe um grande trabalho e estão a constituir-se alguns espaços de acolhimento e resposta a nível alimentar e de outras necessidades básicas dos emigrantes”, considerou.

“Depois de toda a visibilidade que se deu ao problema suíço, a situação tem estado mais calma possivelmente porque as pessoas se começaram a precaver e a não se lançar na aventura e porque as instituições que estão no terreno, ao tomarem consciência da realidade, foram ao encontro das necessidades que estavam à vista de todos”, acrescentou.

Adiantou que na França e no Luxemburgo não surgem tantos casos de emigrantes em situações de pobreza extrema e que as preocupações se voltam agora para o Reino Unido, onde tem surgido relatos de portugueses a viver nas ruas.

“Em Londres, sabemos de pessoas sem-abrigo e muita gente que vive situações difíceis. As pessoas emigram com a expetativa de melhorar a vida e resolverem os problemas e depois caem nesta degradação total, mas não voltam para Portugal por vergonha”, disse.

Frei Francisco Sales tem a expetativa de que da reunião de Lisboa, na qual participa o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, possam sair orientações e parcerias entre as missões católicas portuguesas e as secções locais da Cáritas.

“A Cáritas é uma instituição tem muitos meios e mais possibilidades económicas para responder a algumas situações e esperamos que possam surgir algumas parcerias, um trabalho que seja a resposta a esta realidades. Espero também que consigamos envolver a secretaria de Estado das Comunidades e através dela os consulados para todos juntos criemos uma plataforma que dê resposta o mais imediato possível às situações que vão emergindo”, sublinhou.

FONTE: Bomdia.lu

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