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4 Dezembro 2022

Mayday português com pouca participação

Clique para ampliar Alguma comida, muitos cartazes contestatários, pintura e bastantes discursos preencheram hoje a concentração contra a precariedade no emprego no Largo Luís de Camões, em Lisboa, para assinalar o Dia do Trabalhador.

Integrado no movimento internacional Mayday, que começou há 11 anos em Itália precisamente para contestar o emprego precário, as cerca de 200 pessoas que aderiram à iniciativa integraram-se depois na manifestação da central sindical CGTP para comemorar o 1.º de Maio, que que desfilou entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques.

A porta-voz dos organizadores do movimento disse que a iniciativa foi “um grito contra a precariedade”, um desafio para unidade das pessoas e para que “tentem mudar a vida” degradada pela atual situação de crise no país.

“As pessoas podem pegar nas rédeas da vida e fazer com que as coisas aconteçam”, afirmou Sara Simões, 24 anos, empregada efetiva num “call center”, em declarações à agência Lusa, enquanto muitos dos presentes começavam a formar fila para contarem ao microfone da organização a sua história de precariedade ou apresentarem propostas de contestação.

Tal como outros participantes na concentração naquela zona histórica de Lisboa, a porta-voz do movimento MayDay reconheceu “alguma apatia” por parte dos desempregados e das pessoas a trabalhar sem vínculos e em condições precárias.

“Esperamos que com estes movimentos se consiga acordar um bocadinho as pessoas, as consigamos espicaçar e levar a sair para a rua”, acrescentou Sara Simões.

Myriam Zular, 42 anos, precária “há 15”, disse estar no Largo Camões para assinalar o “dia das pessoas que trabalham, não dos colaboradores como agora querem fazer crer”.

Também esta ativista do movimento Precários Inflexíveis considera que “as pessoas estão muito dispersas”, “isoladas”, “cada uma a tentar resolver a situação”, condicionantes que encontra para justificar a pouca adesão à concentração numa altura em que o desemprego atinge os 15 por cento em Portugal.

“As pessoas desempregadas sentem-se muito sós, muito preocupadas com a sua situação”, o que as leva a entrar no “ciclo vicioso” de “quanto mais se está em casa, menos vontade tem de sair”, considera.

Acresce ainda, na sua opinião, que “foi-se perdendo a ideia de que a união faz a força””.

FONTE: Bomdia.lu

[ CGTP: Os trabalhadores não são descartáveis ]

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