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27 Novembro 2022

Governo quer contar com os 5 milhões cá de fora

Clique para ampliar O secretário de Estado da Cooperação afirmou domingo, em Paris, que a crise deu a Portugal a “oportunidade de redescobrir” os portugueses residentes no estrangeiro, e considerou que a força desse associativismo pode ajudar a desenvolver a “lusofonia global”.

“A crise deu-nos a oportunidade de redescobrir os nossos irmãos e irmãos que estão a residir noutros países”, disse à agência Lusa Luís Brites Pereira, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, a falar à margem da festa franco-portuguesa de Pontault-Combault, nos arredores de Paris.

Luís Brites Pereira afirmou que “o atual Governo e o primeiro-ministro têm uma visão de que Portugal é dez mais cinco”, ou seja, que inclui os quase 5 milhões de portugueses fora do território nacional.

“Eles fazem parte da nossa portugalidade. Estamos a contar com o seu conhecimento, as suas experiências, a sua localização, e a sua vontade de fazer para que cresçamos em conjunto. O associativismo pode ter um papel muito importante no desenvolvimento da lusofonia global”, acrescentou.

O secretário de Estado destacou ainda a “dimensão empresarial” que, considera, o associativismo entre as comunidades portuguesas começa a ganhar, afirmando esperar que “o empenho local” tenha “uma tradução global”.

Depois, no palco, ao lado, de entre outros, do embaixador de Portugal em França, Francisco Seixas da Costa, do cônsul-geral de Portugal em Paris, Pedro Lourtie, e dos deputados eleitos pelo círculo da emigração pelo PSD e pelo PS, Carlos Gonçalves e Paulo Pisco, Luís Brites Pereira afirmou que a língua portuguesa é “uma oportunidade de trabalho nos cinco continentes”.

O deputado Carlos Gonçalves destacou a importância desta festa, que reúne, há quase 40 anos, uma vez por ano, milhares de portugueses, luso-descendentes e franceses, como prova de “amizade” e “fraternidade”. Disse depois que Pontault-Combault mostra que é mais o que une os europeus do que aquilo que os separa.

O deputado socialista Paulo Pisco chamou à multidão em frente ao palco “um pequeno Portugal” e sublinhou a importância de a Europa seguir o exemplo de aproximação entre países que esta festa hoje deu.

Esta festa é organizada há 37 anos pela Associação Cultural Portuguesa de Pontault-Combault para financiar o seu projeto de aulas de português para filhos de emigrantes em França.

Este fim de semana o evento aconteceu debaixo de um sol de agosto, com milhares de chapéus, vestidos de verão, pés à mostra ou descalços sobre a relva dos jardins da câmara municipal. E com sardinhas, pastéis de nata, bifanas, leitão e frangos assados espalhados pelas bancas e pelos pratos.

Atrás de uma das maiores bancas do recinto, Marília Legret, 62 anos, a viver há 40 anos em França, contou à Lusa que na primeira edição da festa, quando havia ela e “o senhor dos gelados”, não havia tanta gente. Nessa altura ela também não vendia, como hoje, Portugal, de cores e bandeira, estampado, cosido, colado em tudo.

“Nessa altura vendiam-se outras coisas. Vendiam-se rádios que apanhavam sinal português, por exemplo”, diz. Nada de meias, de uniformes da seleção portuguesa de futebol, nada de bolas, de bonés, de pratos, de porta-chaves, de lenços, de t-shirts.

A música, garante, “é que houve sempre”. Portuguesa e popular. E, pelo menos hoje, a competir com a música que saía do palco, uns metros ao fundo, de onde uma voz de homem gritava: “Portugal está em festa! Façam barulho!”.

FONTE: Bomdia.lu

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