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18 Agosto 2022

França quer acabar com português nas universidades?

Clique para ampliar A presidente do instituto Camões, Ana Paula Laborinho, disse desconhecer qualquer intenção das autoridades francesas de reduzirem a aposta no ensino de português nas universidades, sublinhando que o interesse pela língua está a crescer.

“Temos vindo a assinar parcerias com França e tem-nos sempre sido referida a importância da língua portuguesa numa perspetiva de uma das grandes línguas globais”, disse Ana Paula Laborinho.

A presidente do instituto Camões falava à agência Lusa a propósito de declarações da ministra da Investigação e Ensino Superior de França, Geneviève Fioraso (na foto), que, numa entrevista recente, questionou a utilidade do ensino de português nas universidades francesas.

“Podemos questionar-nos se ter português em todas as universidades é indispensável. Adoro o português, mas ter uma disciplina rara em todas as universidades se calhar não é útil”, disse a ministra ao jornal Mediapart.

Ana Paula Laborinho escusou-se a comentar as declarações da ministra, adiantando que haverá “certamente ocasião de debater (o assunto) com as autoridades francesas”.

“Para já nada nos chega oficialmente que confirme o que foi produzido no contexto de uma entrevista que precisamos de analisar com detalhe em termos oficiais”, acrescentou.

A posição da ministra francesa está a indignar a comunidade portuguesa que vê nestas declarações, feitas no contexto de cortes no ensino superior, um plano para reduzir a disponibilidade de aulas de português em França.

Idelette Muzart-Fonseca dos Santos, diretora do Centro de Estudos sobre o Mundo Lusófono, da Universidade de Paris Oeste Nanterre-La Défense, citada pelo semanário Lusojornal, contestou a posição da ministra, sublinhando a importância do ensino de português em França.

“Este ensino é realmente indispensável uma vez que cada vez mais empresas, mas também centros de investigação e as mais diversas profissões procuram especialistas capazes de trabalhar com o Brasil, Angola ou outros países lusófonos”, disse a professora.

José Manuel da Costa Esteves, responsável pela Cátedra Lindley Cintra, da mesma Universidade, também citado pelo semanário Lusojornal, classificou como graves as declarações da ministra, adiantando que Geneviève Fioraso “atacou o português sem saber como é que ele é ensinado”.

“Esquecem o que devem à comunidade portuguesa, a importância da nossa língua com os países lusófonos emergentes e que temos mais falantes do que o francês”, disse José Manuel Esteves

Para o deputado social-democrata Carlos Gonçalves “os indícios que as declarações da ministra deixam em relação ao futuro do ensino do português em França são pouco positivos”.

“São declarações lamentáveis quando se dá o exemplo de uma língua associada a um espaço cultural vasto, com cada vez mais intervenção mundial, 3ª língua europeia, num país onde vivem para cima de um milhão de pessoas de expressão portuguesa”, disse Carlos Gonçalves.

O deputado, que reside em França e preside ao grupo de amizade parlamentar entre os dois países, acredita que as declarações da ministra não traduzem a vontade do Governo no seu todo, nem do Presidente da República francês.

Portugal tem em França sete leitores, quatro cátedras e três Centros de Língua.

Cerca de 40 universidades oferecem ensino de português, 16 têm licenciaturas, 14 têm mestrado e 13 têm doutoramento.

FONTE: Bomdia.lu

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