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5 Dezembro 2022

Finalista de agronomia investe 100 mil euros para provar que a agricultura tem futuro

Clique para ampliar Um jovem de 23 anos, de Penafiel, finalista de agronomia em Coimbra, investiu mais de 100.000 euros numa exploração de vinha e de milho para provar que a agricultura tem futuro em Portugal.

“Sonhei, desde pequeno, estar ligado à área, primeiro como veterinário e agora isto”, disse à Lusa, enquanto mostrava, orgulhoso, a sua exploração em S. Mamede de Recesinhos.

“Os terrenos são dos meus pais, mas o investimento que aqui vê foi idealizado por mim”, contou.

Filho de lavradores ainda no ativo, Luís Landreiras acredita que Portugal, em especial a região norte, tem grande potencial agrícola, convicção que, frisou, tem consolidado na formação académica, em engenharia agrónoma, que está quase a concluir.

“Sempre ouvimos, aqui na terra, que a agricultura era empobrecer alegremente. Lá [na faculdade], o primeiro impacto é que a agricultura é importante para o nosso país e para o mundo. Isso abriu-me os olhos e a perspetiva de uma vida ligada a isto”, afirmou.

“Podemos ser autossuficientes em grande parte das coisas”, lembrou, criticando que o país ainda tenha apoios à não produção, obrigando à importação e ao abandono dos terrenos férteis.

Sentado no trator, alertou, preocupado: “Hoje vemos terrenos abandonados, há fome e compramos tudo aos países estrangeiros”.

Fazendo uma longa pausa para ponderar e olhar o horizonte de hectares de vinha nova, lamentou: “Assim, o nosso país vai-se afundando”.

Mas para provar que a agricultura também pode ser um “futuro risonho” para os jovens, Luís avançou com uma candidatura ao programa Vitis, num valor superior a 100.000 euros, para plantação de seis hectares de vinha, com as castas de vinho verde de melhor qualidade na região.

Decidiu não solicitar o apoio da banca, optando por pedir o dinheiro emprestado aos familiares, enquanto aguarda, por entre “um mar de papelada”, receber a comparticipação.

“Até agora já fiz um investimento brutal e não tive qualquer apoio”, disse, acrescentando prontamente:

“É vinha nova. Isto é só o começo. Só daqui por cinco anos é que tirarei rentabilidade disto, mas vou recuperar”, observou, mostrando-se confiante de que a Quinta da Aveleda, maior exportador nacional de vinho verde, poderá constituir um dos seus melhores clientes.

Quando os estudos permitem, como nas férias e ao fim de semana, o futuro engenheiro agrónomo dedica o tempo livre, quase na totalidade, ao “trabalho duro” na quinta.

Para já, conta com a ajuda dos pais, de outros familiares e de uma “colaboração muito especial”, a sua namorada, também estudante de agronomia, residente a poucos quilómetros, em Vila Meã, Amarante, e igualmente apaixonada pela lavoura.

“É um orgulho muito grande e um bem-estar enorme trabalhar aqui. Mesmo com o frio ou com chuva, não custa”, exclamou.

Luís Landreiras também tem orgulho na exploração de dois hectares de milho forrageiro, próprio, explicou, para a alimentação de animais, na freguesia vizinha de Croca.

Mergulhando determinado num mar imenso de milho verde, exibiu com as suas próprias mãos a qualidade da espiga. O jovem disse acreditar no potencial desta cultura, até porque poderá constituir, no futuro, um ótimo apoio para o investimento que conta fazer na criação de bovinos, aproveitando as condições que a casa dos pais já proporciona.

“Tenho muitas ideias e muitos projetos para o futuro”, concluiu.

FONTE: Bomdia.lu

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