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3 Dezembro 2022

Eurovisão: Homens da Luta filmam com finlandesas

Clique para ampliar Continua a odisseia de Neto e Falâncio na Eurovisão. Um novo vídeo mostra os nossos representantes no Festival da Eurovisão com “partenaires” finlandesas. Mas históricos do Festival da Canção, como Simone, José Cid e António Calvário, não embarcam na euforia.


É já hoje, terça-feira, que os Homens da Luta participam na primeira semi-final do Festival da Eurovisão.

A banda portuguesa está há alguns dias em Düsseldorf, na Alemanha, onde se realiza a cerimónia, e tem chamado a atenção da imprensa internacional graças a intervenções como aquela que aqui se pode ver neste vídeo, em que os Homens da Luta enviam uma mensagem ao primeiro-ministro José Sócrates, acompanhados de esbeltas finlandesas.

Depois do jornal inglês The Guardian publicar um artigo sobre os Homens da Luta, também o espanhol El Mundo se debruça sobre este “fenómeno social”: “A primeira vez que irromperam com as suas mensagens irónicas frente às câmaras de televisão, nem os jornalistas lusos eram capazes de descrevê-los”, lê-se no jornal do país vizinho.

” Jel e Falâncio parodiam os cantautores que, nos anos 70, escreviam letras contra a ditadura . Os seus acompanhantes são uma camponesa portuguesa, uma intelectual da época, um capitão da Revolução de Abril e um homem das obras negro, em representação daqueles que emigraram das antigas colónias de África para Portugal”.

O El Mundo escreve ainda que os Homens da Luta se converteram “em ícone da geração precária ” que se manifestou em Lisboa no passado mês de março e adiante que Jel e Falâncio aproveitarão a passagem pela Alemanha para tentar falar com a chanceler Angela Merkel, pedindo “uma mãozinha” para Portugal.

Entretanto, em declarações à agência Lusa, três históricos do Festival da Canção pronunciaram-se sobre a ida dos Homens da Luta à Eurovisão.

Para José Cid, que representou Portugal na Eurovisão em 1980, com “Um Grande, Grande Amor”, a canção dos Homens da Luta é “o espelho da revolta do povo e da classe média deste país que foi maquiavelicamente destruída nos últimos 15/20 anos, e aplica-se à época que o país atravessa, que é uma fase de desmoralização”.

Para José Cid, os Homens da Luta têm todo o direito a participar na Final da Eurovisão, pois ganharam o festival em Portugal, mas defende que, ao invés do televoto, devia ser ” um júri “assumidamente escolhido pela televisão ” a escolher os vencedores.

Cid gostaria ainda que a RTP devia apostar em canções com um cariz mais étnico, como a que Lúcia Moniz levou [em 1996, “O Meu Coração Não Tem Cor”, que alcançou o sexto lugar]”.

” Como canção de protesto já ouvi mais bem cantadas, melhor tocadas e com melhor letra “, rematou José Cid, entrevistado pela Lusa.

Por seu turno, António Calvário, representante de Portugal em 1964 com “Oração”, diz gostar da canção (“Até era capaz de cantá-la”), mas aponta: ” Não é uma canção para representar Portugal na Eurovisão , reflete o contexto especial, tem a ver com os nossos problemas e nada a ver com o Festival”.

Mais contundente é Simone de Oliveira, para quem “A Luta é Alegria” é “panfletária e tem razão de ser num comício” .

“Sou capaz de perceber as canções de luta e protesto mas não é aquilo. Sou capaz de perceber canções como A Tourada, Ave Maria do Povo, a Desfolhada, E Depois do Adeus. Aquilo (A Luta é Alegria) é uma atitude de rebeldia de uma gente nova, mas que não dignifica nada a música ligeira portuguesa”, lamenta Simone, que representou Portugal na Eurovisão com “Sol de Inverno” (1965) e “Desfolhada Portuguesa”, em 1969.

A final da Eurovisão realiza-se no próximo sábado, 14 de maio, com a presença assegurada dos representantes de Alemanha, França, Espanha, Itália e Reino Unido.

Bomdia.lu

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