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6 Dezembro 2022

Economia portuguesa não sobrevive apenas com austeridade

Clique para ampliar O chefe da missão do FMI na ‘troika’, o etíope Abebe Selassie, admitiu, em entrevista hoje ao jornal Público, que a economia portuguesa “não vai sobreviver” apenas com austeridade, sendo imperativas “reformas que melhorem a produtividade”.

“Sempre disse que era muito importante ter uma melhoria da produtividade e uma contenção salarial. Mas se houver apenas austeridade, a economia não vai sobreviver. É imperativo que tenhamos também reformas que melhorem a produtividade. Boa parte do esforço do programa é nesse sentido. Resolver o problema da competitividade simplesmente reduzindo os salários não vai resultar”, afirmou.

Abebe Selassie deslocou-se a Portugal no âmbito da quinta avaliação da ‘troika’ (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) ao plano de ajustamento da economia portuguesa, concluída na terça-feira, de que resultou um adiamento das metas para reduzir o défice.

O Governo anunciou, entretanto, novas medidas de austeridade, incluindo a redução da Taxa Social Única (TSU) paga pelas empresas e o aumento das contribuições dos trabalhadores para a segurança social.

Na entrevista ao Público, Abbe Selassie negou que a redução da TSU tenha sido uma exigência da ‘troika’ para conceder mais um ano ao plano de ajuda a Portugal.

“Houve várias medidas orçamentais discutidas no âmbito do Orçamento do Estado (OE) de 2013. A Taxa Social Única foi uma delas. Mas, não, não foi nenhuma condição para mais nada. Foi uma ideia posta sobre a mesa. Achamos que é razoável e apoiamo-la”, afirmou.

Segundo Selassie, o Governo decidira anteriormente não avançar com o corte da TSU, mas a ideia foi retomada “na sequência da decisão do Tribunal Constitucional sobre os cortes dos subsídios”.

Selassie disse também que a ‘troika’ está convencida de que esta medida “irá suportar a procura de emprego”, embora reconhecendo que terá impacto sobre os rendimentos disponíveis.

“Imagino que esta seja uma das medidas mais difíceis que o Governo já tomou até aqui. E insisto: nesta conjuntura, qualquer outra medida que tivesse sido tomada teria gerado o mesmo debate”, disse.

O chefe da missão do FMI rejeitou que Portugal esteja a ser sujeito a uma experiência económica e disse que o ajustamento orçamental se deve aos “desequilíbrios perigosos que a economia portuguesa acumulou desde 2001”.

Sobre a possibilidade de o PS votar contra o Orçamento de Estado, Selassie disse que “a base alargada de consenso social e político é importante”, mas que se trata de “uma questão de política doméstica interna”.

“Vemos o programa a correr bem até ao momento. Portugal ganhou credibilidade crescente pela forma como o programa foi implementado”, acrescentou.

FONTE: Bomdia.lu

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