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11 Agosto 2022

É brasileiro o vencedor do Prémio Camões 2012

Clique para ampliar O vencedor do prémio Camões deste ano, o brasileiro Dalton Jérson Trevisan, nasceu em 1925, em Curitiba, no Sul do Brasil, cidade que inspirou uma série dos seus contos e onde vive, escondido do assédio dos meios de comunicação.

Entre as muitas personagens misteriosas descritas nos seus livros, pode-se dizer que o próprio Trevisan se destaca entre as mais enigmáticas.

Recluso convicto, com enorme aversão à imprensa, sem nunca receber visitas, Trevisan ganhou a alcunha de “Vampiro de Curitiba”, nome que deu título a um de seus livros mais conhecidos, lançado em 1965.

“Para se conceber um histórico de Trevisan, é preciso a habilidade das cerzideiras, cosendo retalhos aqui e ali, em uma ou outra reportagem, nas antigas e raras entrevistas”, diz o texto a seu respeito, na Editora Record, responsável pela publicação das suas obras desde 1978.

Formado em advocacia, o autor chegou a exercer a profissão durante sete anos. Trabalhou ainda como repórter policial e crítico de cinema. A veia literária, porém, falou mais forte.

O primeiro livro, “Sonata ao Luar”, foi lançado em 1945, seguido de “Sete Anos de Pastor”. Ambos foram mais tarde rejeitados pelo autor, que diz não possuir um exemplar sequer de suas primeiras obras.

“Felizmente, já esqueci aquela barbaridade”, afirmou Trevisan sobre o seu primeiro livro, numa de suas raras entrevistas.

Entre 1946 e 1948, o “curitibano” editou a revista “Joaquim”, que reunia ensaios e contos de autores como António Cândido, Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade, que marcaram a afirmação do modernismo brasileiro, além de traduções de escritores como Franz Kafka, Marcel Proust ou Jean-Paul Sartre.

“Contos Eróticos” (1984), “Crimes de Paixão” (1978), “Desastres de Amor”, (1968), “Dinorá – Novos Mistério” (1994), estão entre as suas obras, assim como “Vozes do Retrato – Quinze histórias de Mentiras e Verdades” (1998), “Violetas e Pavões” (2009) e “O Anão e a Nifeta” (2011), que é o seu último livro publicado.

Enquanto Trevisan se esconde em sua casa, em Curitiba, os seus contos têm ganhado o mundo, com traduções para diferentes línguas, entre as quais inglês, espanhol, francês e italiano.

Em Portugal, foi publicado em 1984 pela Relógio dÁgua, de Francisco Vale, com a coletânea “Cemitério de Elefantes”, dedicada a alguns dos seus contos.

As histórias de Trevisan receberam adaptação para a televisão e o cinema, no Brasil e na Hungria, onde um de seus contos foi adaptada a série de televisão.

No Brasil, a adaptação para o cinema de “A Guerra Conjugal”, de 1969, do realizador Joaquim Pedro de Andrade, recebeu o prémio de melhor filme e melhor realizador em festivais nacionais, além de uma menção honrosa no Festival de Barcelona.

Consagrado como contista, com temas sobre a classe média e as angústias do quotidiano, Trevisan possui um único romance publicado, intitulado “A Polaquinha”.

No ano passado, o autor recebeu o Jabuti – o maior prémio literário brasileiro – na categoria de contos e crónicas, com o livro “Desgracida”. Como era de se esperar, Trevisan manteve-se em Curitiba e enviou um representante à cerimónia de entrega do prémio.

FONTE: Bomdia.lu

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