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3 Dezembro 2022

Dia de manifestações contra a troika em Portugal

Clique para ampliar Uma pessoa foi detida em Lisboa e outra imolou-se pelo fogo em Aveiro, no âmbito do protesto “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas”, que decorreu no sábado em dezenas de cidades por todo o país.

A Lusa presenciou a detenção em Lisboa, feita por polícias à paisana, depois de vários manifestantes terem arremessado tomates, petardos e garrafas de cerveja contra a porta do edifício nº 57 da Avenida da República, onde o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem escritórios no 9.º andar.

Em Lisboa, os manifestantes concentraram-se na Praça José Fontana e seguiram até à Praça de Espanha, onde começaram a chegar perto das 18:00, e eram recebidos com uma faixa gigante onde se podia ler a frase “Faz falta um novo 25 de Abril”.

O percurso, com pouco mais de três quilómetros, passou pelo Saldanha, Avenida da República e Avenida de Berna. À medida que a manifestação passava, muitas pessoas juntavam-se aos milhares que desfilavam nas ruas.

Entretanto, perto das 19:30, os manifestantes começaram a desmobilizar da Praça de Espanha.

Em Aveiro, de acordo com uma fonte da esquadra do Governo Civil local, pelas 18:30 um homem que participava nos protestos contra as medidas de austeridade tentou imolar-se pelo fogo e foi assistido no local por uma equipa do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

No Porto, milhares de pessoas concentraram-se na Avenida dos Aliados, gritando palavras de ordem como “Passos ladrão, pede a demissão” e “O povo não quer gatunos no poder”.

Em Viana do Castelo, mais de 300 manifestantes, muitos dos quais munidos simbolicamente com vassouras, cortaram hoje o trânsito na principal avenida da cidade.

Esta acção iniciou-se depois das 15:00 e, ao fim de quase uma hora, os cerca de 300 manifestantes partiram, de forma espontânea, em desfile pelas ruas da cidade, num acção que não estava autorizada mas que decorreu sem incidentes, apesar do condicionamento à circulação automóvel.

O desfile acabou cerca de 40 minutos depois, na Praça da Liberdade, com os manifestantes, de vassoura na mão, a lançarem palavras de ordem contra a troika.

O Rossio de Viseu foi hoje palco de uma das maiores manifestações desde o 25 de abril de 1974 na cidade, com mais de 2.000 pessoas a participar no protesto nacional.

Cerca de um milhar de pessoas manifestaram-se em Portimão. Os manifestantes concentraram-se às 16:00, em frente da Câmara de Portimão, e desfilaram depois pelas ruas da baixa da cidade até à marginal, onde quem quis tomou a palavra para dizer o que entendia e protestar contra as medidas de austeridade, como as alterações à Taxa Social Única, que disseram estar a agravar o nível de vida dos portugueses.

No centro histórico de Évora juntaram-se cerca de 500 pessoas contra as medidas de austeridade. Os manifestantes começaram a chegar à Praça do Giraldo, considerada a sala de visitas de Évora, por volta das 17:00, percorreram algumas das principais ruas até aos Paços do Concelho e voltaram à principal praça da cidade, onde foram feitos os discursos.

Na cidade de Setúbal, cerca de três a quatro mil pessoas concentraram-se no Largo José Afonso e desfilaram pela Avenida Luísa Todi até à Praça do Bocage.

Durante o protesto contra as medidas de austeridade ouviram-se palavras de ordem a pedir a demissão do Governo e cantou-se o hino nacional.

Cerca de 1.500 pessoas, segundo dados da PSP, juntaram-se hoje no centro de Vila Real também em protesto contra as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo.

Na cidade onde cresceu, o primeiro-ministro foi vaiado e até convidado a seguir o seu próprio conselho e emigrar.

Em Braga, a manifestação juntou, segundo a PSP local, cerca de cinco mil pessoas e decorreu de forma “totalmente ordeira e pacífica”.

O protesto decorreu desde as 15:00 até perto das 18:20, tendo tido como epicentro a Avenida Central, onde os populares interessados tiveram direito a fazer discursos de quatro minutos.

Os protestos também chegaram às regiões autónomas.

Em Ponta Delgada, nos Açores, cerca de três centenas de pessoas, de várias idades, reuniram-se junto às Portas da Cidade.

“Por causa do Governo estamos a ficar pobres”, afirmou aos jornalistas André Silva, de sete anos, que segurava numa mão um cartaz onde se lia “Quero um futuro” e na outra uma bandeira negra com as quinas portuguesas.

No Funchal, Madeira, foram milhares as pessoas, incluindo muitas crianças, que desfilaram, naquela que pode ser considerada a maior manifestação popular dos últimos anos naquela cidade.

O apoio dos madeirenses a esta ação popular surpreendeu até os impulsionadores da iniciativa na Madeira, dois “jovens sem futuro”, Ricardo Vieira e Duarte Rodrigues, “tendo em conta a falta de cultura de manifestação que a região tem, pelo que a democracia agradece e mostra que está na altura de mudar”.

Entre os populares que desfilaram no Funchal, no âmbito desta manifestação que os organizadores frisaram ser “do povo e para o povo, apartidária”, além de figuras de várias forças partidárias estavam o artista plástico Rigo, o geógrafo Raimundo Quintal, atores e muitos funcionários públicos, com destaque para muitos professores.

Houve também manifestações em Berlim, Paris e Londres.

O apelo para a manifestação “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” surgiu na Internet, através das redes sociais, e foi inicialmente organizada por algumas pessoas de Lisboa, mas acabou por ser acolhida em várias regiões de Portugal, assim como em Fortaleza (Brasil), Berlim, Barcelona, Bruxelas, Paris e Londres.

Criada ainda no mês de agosto, a manifestação ganhou peso após as medidas de austeridade anunciadas na semana passada pelo primeiro-ministro, Passos Coelho.

FONTE: Bomdia.lu

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