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26 Novembro 2022

Conceição Araújo, orgulhosa das suas origens

O portal Nós Cá Fora.be conversou com Conceição Araújo, uma compatriota que reside na Bélgica há cerca de 50 anos, mais precisamente em Bruxelas.

Nesta sua longa permanência pela Bélgica, procurou estar ativa e ajudar na divulgação da cultura portuguesa, razão pela qual decidiu associar-se a uma das maiores associações da Bélgica, a Associação dos Portugueses Emigrados na Bélgica (APEB). Desde aí, apoiou as diversas direções que comandaram os destinos da APEB ao longo de 50 anos, sempre a pensar na divulgação das tradições lusas.

Conceição Araújo foi uma das fundadoras do Rancho Folclórico, organizou durante alguns anos as Marchas Populares, e também participou diversas vezes em noites de fado organizadas pela APEB com os seus dotes de fadista, já que as suas origens são Lisboetas.

Secção de teatro da APEB

Mais recentemente, abraçou o desafio de presidir a associação. Exerceu o cargo de Presidente durante 5 anos, organizando diversos eventos culturais para atraír a nossa comunidade e não só. “Infelizmente, a pandemia trouxe muitas restrições” disse Conceição Araújo ao Nós Cá Fora.be. “A nível de festas ou palestras literárias, tudo teve de ficar em stand-by. Até os convívios gastronómicos, que se faziam constantemente na associação e que traziam alguma receita, tiveram de terminar por causa das restições em vigor”.

A sócia número 6 da APEB acrescentou ainda que há associações que estão a atravessar uma fase difícil a nível financeiro, “e é pena que muitas estejam a fechar portas por não puderem suportar as despesas”.

Grupo coral feminino da APEB

Questionada sobre o balanço que faz destes 5 anos de Presidente, Conceição Araújo lamentou que o contexto não foi o melhor por causa dos vários desafios que a associação teve de atravessar nesse período de tempo: “O primeiro mandato foi de imenso trabalho. Herdámos uma situação financeira delicada, mas com o envolvimento extraordinário da direção daquela altura,  conseguimos dar a volta. Depois, enfrentámos outro enorme desafio pois tivemos de saír da Maison des Cultures de Saint-Gilles. Mudámos para Ixelles, para um local mais pequeno, que também nos limitou nas nossas habituais atividades. Mesmo assim,  conseguimos encontrar alguma estabilidade. Finalmente, quando pensávamos ter encontrado um rumo com maior tranquilidade, a pandemia estragou tudo. Foi um desanimo enorme porque apesar de termos muita vontade para lutar, simplesmente não podíamos fazer nada.”

Rancho folclórico “Raízes de Portugal” da APEB

Conceição Araújo deixou o comando da APEB em dezembro de 2021, mas confessou continuar disponível para apoiar a comissão que assumiu recetemente os destinos da associação. Na sua opinião, poderá ser benéfico procurar a manter contactos com os sócios mais antigos mas apela para uma maior mobilização de um público mais jovem: “Precisamos de alguém com voz para juntar os sócios, que puxe pelos sócios antigos, mas principalmente pelos mais jovens. E esta juventude é fundamental para mantermos as nossas tradições bem vivas na Bélgica”.

“o caminho da APEB poderá passar pela sua progressiva profissionalização”

No fim da entrevista, Conceição Araújo falou do futuro do associativismo através de uma abordagem que poderá parecer surpreendente de quem tenha consagrado a vida toda numa associação de forma totalmente voluntária: “o caminho da APEB (e das associações de forma geral) poderá passar pela sua progressiva profissionalização”.

Sem descartar a génese da associação, profundamente ligada ao voluntariado, a ex-Presidente da APEB destaca o exemplo de algumas associações de Saint-Gilles, como a “Hispano-Belga asbl” que tem na sua equipa “empregados que trabalham a tempo inteiro e que se ocupam, por exemplo, de tarefas como pedidos de subsídios a diversas entidades. E isso permito maior alívio no trabalho desenvolvido pelos os outros membros da associação que se dedicam de forma voluntária […] Hoje é cada vez mais difícil encontrar pessoas que podem dedicar benevolamente horas e horas a uma associação todas as semanas”.

Assim fica em aberto esta ideia que poderá ser, segundo Conceição Araújo, “a melhor forma de garantirmos o futuro das associações para podermos continuar a fazer aquilo que nos importa tanto: divulgar a cultura portuguesa à nossa comunidade e à sociedade belga”.


J. Pedreira

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