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27 Novembro 2022

Cesário quer funcionários consulares mais sensíveis

Clique para ampliar O secretário de Estado das Comunidades admitiu que há pouca sensibilidade nos consulados portugueses para as dificuldades em que vivem os emigrantes e defendeu que os técnicos têm de sair dos postos e ir ao encontro das comunidades.

“Por vezes não há a sensibilidade para ir à procura dos problemas, para haver uma pro-atividade e sair dos postos”, disse José Cesário, que falava num encontro promovido pela Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM) e pela Caritas Portuguesa.

O secretário de Estado recordou que “há muita gente que tem vergonha de assumir a sua situação. “Conheço pessoas que vivem em dificuldades na Venezuela, mas encontrei-os na igreja, porque não vão ao consulado”, recordou.

“É por isso que insisto que os técnicos saiam dos consulados. As pessoas vão ao consulado para tratar de problemas administrativos, mas não dos problemas sociais”, sublinhou.

É para abordar essa dificuldade que o governo pretende que as permanências consulares tenham uma vertente social, em que um jurista ou um técnico de apoio social do consulado se desloca às comunidades ou às associações para prestar apoio.

Exemplificou que existem duas juristas e dois técnicos no consulado de Paris, um jurista no Luxemburgo e vários técnicos de apoio social na Alemanha e na Suíça.

Perante mais de uma dezena de representantes das missões católicas e da caritas em vários países da Europa, José Cesário defendeu também a necessidade de articular esforços entre as embaixadas e consulados e as instituições no terreno, nomeadamente as da Igreja.

“Temos uma rede de missões católicas com tradição de trabalho nestes casos. Na Alemanha, na Suíça, no Reino Unido, em França várias igrejas vão acompanhando estes casos. O que temos é de identificar os casos mais urgentes, em que seja necessária uma intervenção. Já nos disponibilizámos para apoiar esses casos. Vamos mobilizar alguns meios. Já estamos a mobilizá-los”, disse.

Questionado no final da conferência, o governante disse não poder quantificar os apoios a dar às missões da Igreja, afirmando que dependerão das necessidades: “temos valores diversos, provenientes de várias fontes, que serão canalizados de acordo com as necessidades”.

Mas sublinhou que a parceria com a OCPM, que disse esperar concretizar “em breve”, é importante. “Porque sei que os meios que circulam através das missões vão mesmo para o destinatário final”.

Outra aposta do governo é a realização de uma campanha, que arranca já no mês de maio com o apoio de figuras públicas que não especificou, para informar os candidatos à emigração. O objetivo, explicou, é “evitar que as pessoas caiam o conto do vigário” e emigrem sem quaisquer garantias.

Entre 100 e 200 mil panfletos informativos serão distribuídos através da rede de gabinetes de apoio ao emigrante, existente nas autarquias por todo o país, bem como das paróquias e das juntas de freguesia.

Casos de portugueses em carência extrema na Europa, principalmente na Suíça, denunciados pelas missões católicas alertaram nos primeiros meses deste ano para os problemas que enfrentam os novos emigrantes e levaram a Igreja a suscitar a discussão sobre estratégias de resposta à nova vaga de emigrantes, que o Governo estima se cifre em 120 mil a 150 mil saídas anuais.

FONTE: Bomdia.lu

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