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28 Novembro 2022

Catroga: “Nave do Eurogrupo vai louca”

Clique para ampliar Ex-ministro afirma que introdução de taxas sobre depósitos no Chipre ataca confiança no sistema bancário.

O antigo ministro das Finanças, Eduardo Catroga, considera que a decisão de impor uma taxa sobre os depósitos no Chipre demonstra que “a nave do Eurogrupo vai louca” e que espera que o Parlamento cipriota chumbe a medida.

“A nave do Eurogrupo vai louca. É a primeira reação que tenho. Atacar a confiança no sistema bancário quando precisamente toda a filosofia das medidas tomadas a nível da União Europeia foi criar condições de fortalecimento do sistema bancário e criação de condições de confiança dos depositantes, esta medida é incrível. Está ao arrepio daquilo que tem sido a filosofia da União Europeia”, afirmou o antigo governante à agência Lusa.
Eduardo Catroga lembra medidas tomadas a nível europeu para reforçar a confiança dos depositantes e investidores no sistema financeiro na sequência da crise, como o aumento do valor garantido de depósitos em caso de falência de um banco de 25 mil para 100mil euros, e diz que “a medida é impensável”.

” Nem queria acreditar, nem sei o que passou por aquelas cabecinhas no sentido de tomar uma medida deste tipo que pode ter repercussões muito negativas na confiança do sistema bancário em geral e de alguns países em particular”, referiu.

O ex-governante diz mesmo que não surpreenderia que as pessoas começassem a ter dúvidas se o seu dinheiro está a salvo no banco e defende que esta medida seja chumbada no Parlamento do Chipre.

“Não me admiraria que muitas pessoas começassem a pensar: então eu tenho lá 50 mil euros ou 100 mil euros e afinal não posso ter confiança” porque “de um momento para o outro lançam-me um imposto e congelam os meus depósitos? Espero que o Parlamento de Nicósia não aprove esta medida e que a União Europeia seja obrigada a revertê-la”, salientou.

As agências internacionais revelaram, entretanto, que o Governo cipriota estará a negociar um novo plano, que prevê atenuar as taxas ou mesmo isentar os pequenos depositantes.

Em causa poderá estar uma alteração na taxa a impor sobre os depósitos até 100 mil euros que passaria a ser 3% ou 3,5% em vez dos 6,75% acordados inicialmente, enquanto a taxa para os depósitos superiores a 100 mil euros passaria de 9,9% para 12,5%.

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