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10 Agosto 2022

Call Center para surdos registou mais de 4.000 mil chamadas num ano

Clique para ampliar O Serviço de Vídeo-Intérprete para Surdos da Vodafone, projeto pioneiro de atendimento ao cliente efetuado por uma assistente em Língua Gestual Portuguesa na área das telecomunicações, registou 4.000 videochamadas desde a sua criação há um ano.

Em declarações à agência Lusa, Ana Mesquita, gestora do projeto de responsabilidade social da Fundação Vodafone, adiantou que, desde 27 de abril de 2012, foram registadas mais de 4.000 chamadas na linha 12717 (uma média de 80 por semana), um serviço exclusivo para surdos e gratuito, do qual faz um balanço “muito positivo”.

“A Vodafone Portugal foi a primeira operadora a lançar um call-center dedicado à comunidade surda, ou seja, o atendimento ao cliente é efetuado diretamente pela assistente em LGP, não há aqui um intérprete pelo meio que faça a ponte entre as necessidades das pessoas surdas e o assistente”, explicou.

Ana Mesquita disse que o lançamento há cerca de um ano deste projeto pioneiro na área das telecomunicações tinha por objetivo contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e inclusiva através do lançamento de produtos e serviços adaptados e inovadores a pessoas com necessidades especiais.

“Gostava de realçar que o lançamento deste serviço não é uma iniciativa isolada. Integra um programa no âmbito da responsabilidade social da Vodafone muito mais abrangente. Desde 2005 temos vindo a promover e disponibilizar produtos e serviços adaptados também aos cegos e a pessoas com incapacidade superior ou igual a 60%”, relatou.

A responsável adiantou que a Vodafone lançou este serviço, que funciona de segunda a sexta-feira, das 09:00 às 20:00, com uma equipa de assistentes de call-center em LGP que foram acompanhados e tiveram formação com um intérprete e com o presidente honorário da Associação Portuguesa de Surdos, João Adalberto Ferreira.

“João Adalberto Ferreira ajudou-nos a transpor para LGP todos os módulos de formação de atendimento ao cliente, tendo também ajudado a desenvolver gestos dentro da LGP específicos do léxico das telecomunicações que não existiam antes, como, por exemplo, “pen”, banda larga móvel, portabilidade, entre outros”, explicou.

Ana Mesquita disse também que a maioria dos contactos efetuados para aquele serviço diz respeito a faturação e questões relacionados com os produtos e equipamentos.

Também Rute Faria, uma das quatro assistentes do call-center da Vodafone, contou à Lusa que este serviço “é muito positivo e enriquecedor”.

“A LGP é a minha língua materna. Sou filha de pais surdos. Não sou intérprete, não sou formada, mas uso a LGP desde sempre”, contou a assistente, de 29 anos, que integra o serviço desde o início.

“Não somos meros intérpretes. A comunidade de surdos sente-se à-vontade connosco porque sabem do que estamos a tratar e não precisamos de recorrer a terceiros”, sublinhou.

O projeto da Vodafone foi pioneiro, mas hoje já existem outras operadoras na área das tecnologias que disponibilizam este serviço, como a TMN e a Optimus.

Existem também outros serviços de vídeo-intérpretes disponíveis e gratuitos na Internet a que os surdos podem recorrer através do Serviin (Serviço de Vídeo Interprete) no site http://www.portaldocidadosurdo.pt.

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