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3 Dezembro 2022

Bento XVI defende que fundamentalismo é falsificação da religião

Clique para ampliar O papa Bento XVI criticou hoje o fundamentalismo, considerando que se trata de uma “falsificação da religião”.

“O fundamentalismo é sempre uma falsificação da religião. A tarefa da igreja e das religiões é purificar. Esta tarefa deve tornar claro que cada homem é uma imagem de Deus que devemos respeitar no outro”, afirmou o papa aos jornalistas, que o acompanhavam no avião entre Roma e Beirute.

Durante o voo para a primeira visita ao Líbano, o papa também considerou positivos os levantamentos das populações da “primavera árabe” que conduziram à mudança de regimes ditatoriais na Tunísia, no Egito e no Iémen.

“A primavera árabe é uma coisa positiva, um desejo a partir de agora de democracia, de liberdade, de cooperação, de uma identidade árabe renovada”, afirmou aos jornalistas.

“Este grito de liberdade, que vem de uma juventude mais favorecida culturalmente, profissionalmente, que deseja participar na vida política e social é uma promessa, uma coisa muito positiva. E ela foi saudada precisamente pelos nossos cristãos”, explicou.

“Nós sabemos que o grito da liberdade tão importante, tão positivo, corre o risco de esquecer um aspeto fundamental da liberdade, a tolerância face ao outro. Devemos fazer tudo para que o conceito de liberdade vá na direção justa”, acrescentou.

Para Bento XVI, “a dignidade árabe renovada implica a renovação do viver em conjunto, a tolerância da maioria e da minoria. A liberdade deve corresponder a um diálogo maior, não a dominação de uns pelos outros”.

O papa Bento XVI confiou aos jornalistas não ter tencionado renunciar a esta viagem devido à violência que atinge a vizinha Síria.

“Ninguém me aconselhou a renunciar a esta viagem e pela minha parte não pensei nessa hipótese”, afirmou.

“Como a situação se torna mais complicada, ainda é mais necessário dar aquele sinal de fraternidade, de encorajamento, de solidariedade. É o sentido da minha viagem: convidar ao diálogo contra a violência, ir em conjunto para encontrar uma solução para o problema”, disse.

O papa apelou para que se pare de entregar armas na Síria, onde a guerra civil já causou mais de 27 mil pessoas.

“A importação de armas deve cessar de uma vez por todas. Porque sem importação de armas, a guerra não pode continuar”, afirmou.

Retomando a mensagem de João Paulo II, que esteve no Líbano em 1997, Bento XVI declarou: “Este país é uma mensagem nesta região que é o centro do encontro de três religiões abraâmicas”, judaísmo, cristianismo e islamismo.

FONTE: Bomdia.lu

[ Bento XVI inicia visita apostólica ao Líbano com mensagem de paz ]

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