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19 Agosto 2022

Batalha de Aljubarrota

Assim, quando D. Beatriz se tornou rainha, os portugueses (os que tinham influência) não sabiam muito bem o que pensar. Uns aceitaram-na, mas outros não queriam obedecer-lhe.

D. Leonor Teles, a viúva do rei D. Fernando, aceitava bem esta situação, até porque era ela a regente do reino (a pessoa que reina em vez do rei – ou rainha).

Batalha de AljubarrotaPor seu turno, D. João, Mestre de Avis, meio-irmão de D. Fernando, era um dos portugueses que não queria D. Beatriz no trono.

Para enfraquecer o poder da rainha, D. João Mestre de Avis matou o Conde Andeiro, um castelhano que era o maior conselheiro de D. Leonor e que na verdade fazia a regência do trono por ela…

Com esta atitude, D. João Mestre de Avis ganhou o apoio do povo, da burguesia e de alguns nobres contra D. Beatriz.

Com medo do poder do Mestre de Avis, D. Leonor Teles pediu ajuda ao rei de Castela (ao genro) para impedir que D. Beatriz perdesse o trono.

O rei de Castela também não gostou de ver a sua influência em Portugal ser diminuída, por isso mandou as suas tropas para Portugal e cercou Lisboa, onde estava D. João Mestre de Avis.

Batalha de AljubarrotaO cerco de Lisboa foi um dos mais difíceis e longos da história de Portugal. No entanto, as discussões entre o exército castelhano e a peste fizeram com que os portugueses não tivessem que se render…

Esta vitória deu ao Mestre de Avis uma notoriedade muito grande entre o povo português que o nomeou « defensor e regedor do reino ».

Quem não gostou nada do novo ocupante do trono foram os castelhanos… E o rei de Castela ordenou uma nova invasão a Portugal.

O resultado foram várias batalhas entre os dois exércitos. Uma delas foi a batalha dos Atoleiros em 1384, o primeiro sítio onde se usou a “táctica do quadrado”, que resultou muito bem !

Batalha de AljubarrotaA táctica do quadrado, que te explicaremos no próximo texto, era usada em “pequena” escala contra um exército proporcionalmente maior e foi inspirada nas tácticas de Alexandre Magno (retirada de um livro que D. Nuno Álvares Pereira tinha lido há pouco tempo).

Depois desta vitória portuguesa, as cortes de Coimbra decidiram, em Março de 1385, aclamar D. João Mestre de Avis como o novo rei de Portugal. Assim terminou a Crise (de sucessão) de 1383-85.

Mas de todas as batalhas, a mais referida é a de Aljubarrota, no dia 14 de Agosto de 1385.

O grande herói desta batalha foi D. Nuno Álvares Pereira, um grande apoiante de D. João Mestre de Avis, que decidiu não esperar em Lisboa pelos castelhanos e encontrar-se com eles a caminho de Leiria.

D. Nuno Álvares Pereira organizou um pequeno exército que combateu os castelhanos com besteiros e arqueiros a pé que formavam filas para derrubar os inimigos. Nesta batalha havia cavaleiros ingleses a ajudar o exército português.

Batalha de AljubarrotaD. Nuno aproveitou pequenas elevações do terreno, onde colocou arqueiros e besteiros. Mandou cavar fossos (chamados covas-de-lobo) disfarçados com folhas, para que os cavaleiros castelhanos lá caíssem.

Depois, dispôs as suas forças em três alas, sendo que uma delas (maior) ficava de reserva à retaguarda, comandada por D. João Mestre de Avis.

À frente uma grande linha de soldados comandada pelo Condestável (D. Nuno) enfrentava de frente os castelhanos, dando-lhes a sensação de que estavam em vantagem.

A ala esquerda era a célebre ala dos namorados, que enfrentou bravamente os castelhanos, e a ala direita era conhecida por ala da madressilva, que, enquanto a primeira lutava, fazia chover flechas sobre o exército inimigo.

Quando os cavaleiros exército castelhano viram avançar os soldados portugueses a pé, recolheram um pouco as suas lanças, julgando que não seria necessário um esforço assim tão grande para os derrotar.

Batalha de AljubarrotaImagine a sua surpresa quando as várias alas começaram a avançar e os rodearam !

Esta táctica militar, que ficou conhecida como a “táctica do quadrado”, foi o segredo para a derrota dos castelhanos. Apesar da batalha sangrenta, as maiores perdas foram do exército castelhano que foi cercado de surpresa pelas tropas portuguesas.

O resultado foi a vitória dos portugueses frente a um exército muito superior, tanto em número como em armas !

Os portugueses tinham 1700 lanças, 800 besteiros e 4000 peões ; ao todo 6 500 homens. Por seu turno, os castelhanos tinham 5000 lanças, 2000 cavalos, 8000 besteiros e 15 000 peões, num total de 30 000 homens, com 700 carroças, milhares de animais carregando mantimentos e munições, 8000 cabeças de gado e muitos pagens e outra gente de serventia !

Esta batalha foi um marco muito importante na História de Portugal porque evitou que o País caísse nas mãos de Castela e perdesse a sua independência.

Adaptado do site Júnior (www.junior.te.pt)

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