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8 Agosto 2022

Arquitecto de Brasília morre aos 104 anos

Clique para ampliar O arquitecto brasileiro Óscar Niemeyer, falecido nesta terça-feira na mesma cidade do Rio de Janeiro em que nasceu há 104 anos, fica para a História como o homem a quem o então presidente Juscelino Kubitschek entregou a missão de imaginar Brasília, a cidade criada de propósito para ser a nova capital do Brasil. Isto apesar de o grande nome da arquitectura moderna ter deixado obra em todo o Mundo, incluindo Portugal, onde assinou o projecto da Casino da Madeira, no Funchal.

Tudo começou quando o recém-eleito Kubitschek visitou Niemeyer em Setembro de 1956, anunciando-lhe o plano de criar uma cidade distante do Rio de Janeiro e de São Paulo, na imensidão do estado de Goiás.

Para esse símbolo do Brasil Novo contava com a ajuda do arquitecto que conhecera 16 anos antes, quando era o prefeito de Belo Horizonte e lhe encomendou a criação de um novo subúrbio da capital do estado de Minas Gerais.

Daí resultou o Complexo Arquitectónico da Pampulha, que valeu reconhecimento internacional a Niemeyer, contribuindo para o convite para participar no projecto da sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque (EUA).

Quando ouviu o desafio lançado pelo presidente brasileiro, Niemeyer organizou o concurso para a concepção de Brasília. A tarefa de planear a cidade coube ao seu velho mestre Lúcio Costa, mas o jovem arquitecto aceitou a missão de desenhar os edifícios mais emblemáticos.

Ao longo dos meses seguintes, Niemeyer criou o Palácio do Planalto (sede do governo presidencialista), o Palácio da Alvorada (residência oficial do presidente do Brasil), o Congresso Nacional e a Catedral de Brasília, bem como vários outros edifícios públicos e residenciais.

Quatro anos bastaram para a criação da nova capital do Brasil – num desafio só comparável ao que Hitler lançara ao ministro Albert Speer, também arquitecto, que consistiria na reconstrução total de Berlim, embora a ideologia dos responsáveis por Brasília fosse muito diferente: Kubitschek era um socialista e Niemeyer não escondia simpatias comunistas, recompensadas com o Prémio Lenine, atribuído pela União Soviética em 1963.

No ano seguinte começou a ditadura militar que se prolongaria até 1985 e o estalinismo de Niemeyer deu origem a sucessivas perseguições que o levaram a exilar-se em França. À beira dos 60 anos abriu um atelier em Paris, criando obras tão diversas quanto a sede do Partido Comunista Francês, o Casino da Madeira e a sede da editora italiana Mondadori.

A abertura política no Brasil levou-o a regressar ao país em 1980, voltando a estar perto das suas obras – não só em Brasília, mas também em São Paulo, onde desenhou o enorme parque urbano de Ibirapuera e inventou a fachada ondulada do edificio de apartamentos Copan, ainda hoje um dos símbolos da maior cidade da América do Sul.

Galardoado com o Prémio Pritzker, o mais importante da arquitectura, em 1988, conseguiu a fazer edifícios emblemáticos, sem nunca descurar a militância. Assumiu a liderança do Partido Comunista Brasileiro entre 1992 e 1996, assegurando a sobrevivência da força política numa conjuntura marcada pela implosão da União Soviética e por dissidências internas.

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