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18 Agosto 2022

António Gomes: “Temos de nos unir e trabalhar da melhor maneira possível”

À frente da Federação das Associações Portuguesas na Bélgica (FAPB), António Gomes luta para incutir um espírito de cooperação no seio do movimento associativo.

NCF: Qual o balanço que faz do seu segundo mandato como presidente da FAPB?
AG: O meu maior prazer é juntar todas as associações para que vivam em paz e para que, todos juntos, continuemos a desenvolver o movimento associativo. O balanço não é aquele que eu desejaria, porque temo-nos limitado a fazer a festa do Dia de Portugal [que decorreu a 16 de Junho, em Saint-Gilles]. Fiquei muito contente por termos conseguido reunir 16 associações na festa, mas não estou satisfeito porque há outras actividades culturais que podiam ser feitas.

NCF: Como é que a FAPB pode dinamizar as relações entre as entidades associativas?
AG: Ainda há muitas pessoas que pensam que são superiores e que só elas é que sabem, mas é preciso mudar essa mentalidade. Temos que nos unir e trabalhar da melhor maneira possível, em rede se possível.

NCF: Existem 26 associações federadas, considera que é um universo representativo do associativismo português na Bélgica?
AG: Penso que sim, porque as duas maiores associações a nível cultural (APEB e EMAUS) estão representadas. As outras associações são mais ao nível de clubes de futebol.

NCF: Qual foi a importância do protocolo de fusão com a Federação Portuguesa de Futebol na Bélgica?
AG: A Federação de Futebol mantém a sua autonomia, mas o protocolo ajudou a criar sinergias. Por exemplo, ao nível do website, não precisamos de estar a pagar dois.

NCF: Havia a intenção de organizar um campeonato de futebol com equipas portuguesas. Esse é um objectivo que ainda se mantém em cima da mesa?
AG: Legalmente não é possível fazer um campeonato só com equipas portuguesas num país estrangeiro. É, portanto, para esquecer.

NCF: Como olha para a afluência de cada vez mais portugueses?
AG: Hoje em dia, as pessoas pensam que chegam ao El Dourado, mas também aqui existem dificuldades porque é uma crise na Europa. Quando as pessoas chegam a um país estrangeiro vêm com mais nostalgia do que aqueles que cá estão.

NCF: O que tem sido feito para reforçar a cultura portuguesa na Bélgica?
AG: Infelizmente, os eventos culturais não se têm feito. É uma das lacunas. Precisávamos de pessoas específicas para trabalharem essa parte, porque infelizmente os nossos dirigentes e deputados não vêem com bons olhos trabalhar com o movimento associativo português na Bélgica e preferem trabalhar com lóbis. A maioria dos nossos deputados é um bocadinho fechada e vê-los numa festa é raro.

NCF: Como funciona a relação da FAPB com a Secção Consular da Embaixada de Portugal?
AG: Ao nível da Embaixada, temos tido apoio, até mesmo financeiro. É sempre pouco mas temos de aceitar o que nos dão, porque vemos as dificuldades do nosso País.

NCF: Quais as dificuldades com que a FAPB se debate?
AG: O movimento associativo está em declínio em todos os países. Nós fazemos reuniões, neste mandato é já a 8ª reunião em meio ano, e temos cinco ou seis associações que comparecem. As restantes vêm apenas quando se aproxima a festa do Dia de Portugal. Depois é muito difícil trabalhar, porque quando chegam vêm com muitas ideias, mas que não podem ser feitas num mês. Tem de haver um esforço conjunto para delinear as coisas não no mês de Maio, mas em Outubro.

Patrícia Posse

 

 

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