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18 Agosto 2022

Aeroporto de Beja com futuro incerto

Clique para ampliar O aeroporto de Beja poderá reverter para o Estado e ser gerido por uma entidade pública se a ANA privatizada prescindir de o explorar, admitiu o coordenador do grupo de trabalho que definiu uma estratégia para a infraestrutura.

O caderno de encargos de privatização da ANA – Aeroportos de Portugal “vai incluir, em princípio, uma cláusula que prevê a reversão para o Estado” de qualquer um dos aeroportos geridos pela empresa e que o futuro dono eventualmente não queira explorar, disse hoje à agência Lusa João Paulo Ramôa.

“Se a ANA privatizada tiver uma perspetiva em relação ao aeroporto de Beja que seja contraditória com a da região e não estiver interessada na exploração da valência, o Estado pode chamar outra vez a concessão da infraestrutura para a sua órbita”, explicou.

Nesse caso e porque “a região não pode prescindir” do aeroporto de Beja, uma das várias hipóteses para a gestão da infraestrutura pode passar pela criação de uma entidade pública, que, por exemplo, poderá ser detida pelo Estado e ter a participação de entidades da região, defendeu.

Segundo João Paulo Ramôa, o aeroporto de Beja deverá ser “salvaguardado” no caderno de encargos de privatização da ANA por “ser, fundamentalmente, um equipamento de desenvolvimento regional”.

O eventual desinteresse da ANA privatizada no aeroporto de Beja é “apenas uma hipótese”, mas “é bom que seja equacionada”, porque trata-se de “um projeto que precisa muito de acarinhamento político e de um apoio ao crescimento muito grande”, ao contrário dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, que “já estão há muitos anos no mercado”, frisou.

No entanto, João Paulo Ramôa mostrou-se “convicto” de que os futuros acionistas da ANA vão “abraçar convictamente o aeroporto de Beja”, porque “é o único no país que tem uma valência industrial”, o que permitirá desenvolver “uma área de negócio diferente e suplementar”.

“Não acredito que os futuros acionistas da ANA não vejam o aeroporto de Beja, na sua perspetiva industrial, como uma mais-valia de negócio”, sublinhou.

Segundo a estratégia definida pelo grupo de trabalho, o desenvolvimento do aeroporto de Beja deve passar, a curto/médio prazo, pelo conceito de “aeroporto indústria”, através da aposta na zona industrial adjacente.

Além do coordenador, João Paulo Ramôa, o grupo de trabalho, criado pelo Governo, incluiu mais seis elementos em representação da Força Aérea Portuguesa, ANA, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, Entidade Regional de Turismo do Alentejo e as associações de municípios e empresarial do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral.

O aeroporto de Beja, que resulta do aproveitamento civil da Base Aérea n.º 11 e custou 33 milhões de euros, começou a operar a 13 de abril de 2011 e, na maioria dos dias, tem estado aberto, mas praticamente vazio, sem voos e passageiros.

FONTE: Bomdia.lu

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