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5 Dezembro 2022

A crise de 1383/85

Mas comecemos do início…

O rei D. Fernando, estava há vários anos envolvido em pequenos conflitos com Castela por considerar que tinha direito ao trono do país vizinho, por ser neto de Sancho IV de Castela.

A crise de 1383/85No entanto, a sorte nesta luta nunca esteve do seu lado, pelo que, após algumas batalhas perdidas (em 1369 e em 1381), o rei assinou um tratado de paz, que implicava o casamento de D. João I de Castela com a sua única filha, D. Beatriz.

Mas neste tratado, D. Fernando pôs também por escrito que este casamento não deveria trazer problemas de sucessão do trono português. Ele não queria que Portugal deixasse de ser independente.

D. Fernando morreu em 1383, no mesmo ano em que foi assinado o tratado. Apesar de D. Beatriz não poder reinar e só um filho seu (homem) com mais de 14 anos poder ser rei de Portugal, este facto veio trazer problemas.

Enquanto o filho de D. Beatriz não subisse ao trono, a pessoa responsável por reinar em Portugal seria a viúva de D. Fernando, D. Leonor Teles. Ela seria a regente do reino.

A população já andava muito insatisfeita por problemas agrícolas e por doenças como a peste. Por isso, quando D. Leonor Teles subiu ao poder, todos ficaram ainda mais insatisfeitos.

A crise de 1383/85É que D. Leonor tinha como conselheiro um galego, o Conde de Andeiro, e o povo tinha medo que ele viesse a favorecer o país vizinho (na altura, Castela : é que a Espanha ainda não existia).

Um grupo de nobres junta-se e decide matar o Conde Andeiro com a ajuda de D. João, Mestre de Avis, filho bastardo de D. Pedro I (pai de D. Fernando, o que tornava D. João irmão ilegítimo deste).Após a morte do Conde (que se escondeu num armário quando soube que o queriam matar, mas que acabou por ser atirado de uma janela do palácio, segundo se romaceou mais tarde), D. Leonor Teles foi obrigada a sair da cidade de Lisboa e foi pedir ajuda aos reis de Castela.

Temendo uma invasão do exército castelhano, o povo de Lisboa reconhece o Mestre de Avis como “Regedor e Defensor do Reino” e a burguesia apoia-o com dinheiro, de modo a pagar as despesas da guerra.

É claro que o rei de Castela não aceitou nada bem esta situação, uma vez que os “seus direitos” sobre Portugal estavam a ser ameaçados. Assim decide invadir Portugal e ocupa a cidade de Santarém.

Para lutar contra esta invasão trava-se a Batalha dos Atoleiros, em Abril 1384. D. Nuno Álvares Pereira lidera o exército português e vence os castelhanos usando a famosa táctica do quadrado que lhe voltou a dar a vitória na Batalha de Aljubarrota.

Pouco tempo depois, em Maio, o rei castelhano voltou à carga e cercou a cidade de Lisboa. No entanto, o povo não se rendeu e o cerco foi levantado quatro meses depois, devido à peste.

A crise de 1383/85Após o regresso dos seus soldados, D. João de Castela preparou um poderosíssimo exército para uma nova investida. Ele não iria desistir tão facilmente !

Perante esta situação, reuniram-se as cortes em Coimbra, onde se escolheu o Mestre de Avis como novo rei de Portugal.

Ao tomar conhecimento desta decisão, o rei de Castela invadiu de novo Portugal. A 14 de Agosto de 1385, as tropas portuguesas novamente lideradas por D. Nuno Álvares Pereira, derrotam os castelhanos na batalha de Aljubarrota.

Finalmente, o rei de Castela desiste de invadir Portugal e assina-se um tratado de amizade com a Inglaterra (cujos soldados ajudaram na Batalha de Aljubarrota) onde os dois países prometem ajudar-se mutuamente.

Este acordo foi reforçado com o casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre (originalmente, Lancaster). Já ouviu falar da “Ínclita Geração” ? São todos os famosos filhos do casal : D. Duarte, D. Pedro, o Infante D. Henrique, D. Isabel, D. João, D. Fernando.

Adaptado do site Júnior (www.junior.te.pt)

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