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Portugal tem 143 mil professores. Contas da ministra da Educação. Vestidos de negro, de lenços brancos na mão, de luto por “a escola pública já não aguentar mais”, foram cem mil, segundo os sindicatos e a PSP, os professores que ontem pediram a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues.
“Está na hora, está na hora, de a ministra ir embora”, foi a melodia de fundo da ‘Marcha da Indignação’, que, ao longo de mais de três horas, encheu as ruas de Lisboa, do Marquês de Pombal ao Terreiro do Paço. As palavras de ordem foram repetidas por novos e velhos, famílias inteiras unidas pelo descontentamento.
Além do negro na roupa, os cartazes empunhados não pouparam críticas. Com uma maior ou menor dose de humor – “Novas Oportunidades, por favor, demitam-se” ou “Quem avalia a ministra? Hoje somos mais de 50 mil” –, muitas foram as frases dirigidas.
A exemplo do que aconteceu nos protestos realizados em muitas cidades, a avaliação do desempenho e o Estatuto da Carreira Docente voltaram a ser o maior motivo para não ficar em casa. Muitos são professores há 20 e 30 anos e nunca tinham participado numa manifestação. Outros, apesar de reconhecerem ter votado no actual Executivo, não hesitaram em expressar o descontentamento.
Numa acção aclamada por todos, a Plataforma Sindical pediu a demissão da ministra e dos secretários de Estado. “Os professores reafirmam a profunda indignação face ao desrespeito que tem sido manifestado pelo actual Governo, em especial pelos membros da equipa do Ministério da Educação, equipa que deixou de reunir condições para se manter em funções”. Além disso, pediu “a suspensão do processo de avaliação” e o adiamento da entrada em vigor do novo modelo de gestão escolar.
“O Governo tem maioria absoluta, mas está aqui uma maioria qualificada de dois terços de docentes”, disse Mário Nogueira.
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