Fundado em 1131 no exterior das muralhas de Coimbra, o Mosteiro de Santa Cruz foi a mais importante casa monástica nos primeiros tempos da monarquia portuguesa. Na posse da Ordem de Santo Agostinho, o Mosteiro somou benefícios papais e doações régias, o que permitiu a acumulação de um património considerável, ao mesmo tempo que consolidava a sua posição no plano político-institucional e cultural do país.
A sua escola foi fundamental nestes tempos medievais e ponto de passagem obrigatória para as elites do poder e da intelectualidade. O seu scriptorium foi o responsável pela máquina de propaganda do rei D. Afonso Henriques, não estranhando, assim, que este tenha escolhido sepultar-se precisamente em Santa Cruz de Coimbra. Do primitivo mosteiro românico nada resta. Sabemos que tinha uma só nave e uma alta torre na fachada, características das construções românicas agostinhas, mas nenhum elemento dessa campanha chegou até hoje. Na primeira metade do século XVI o Mosteiro foi integralmente reformado por ordem de D. Manuel, monarca que assumiu a tutela do cenóbio. Todo o complexo monástico, a igreja e os túmulos de D. Afonso Henriques e seu sucessor, D. Sancho I, foram reformulados e transferidos para a capela-mor em 1530, onde ainda hoje se encontram inseridos numa obra escultórica da autoria de Nicolau de Chanterenne. Da grande reforma manuelina conduzida pelo arquitecto Boytac resta a configuração geral da igreja e a Sala do Capítulo, com as duas coberturas abatidas e nervuradas. Marco Pires continuou as obras, e a ele deve-se a conclusão da igreja, a Capela de São Miguel e o claustro do Silêncio. O portal principal, executado entre 1522 e 1525, é a peça mais emblemática de todo o conjunto monástico, obra de Chanterenne que conjuga elementos manuelinos com outros de clara raiz renascentista.
Ao longo de todo o século XVI trabalham em Santa Cruz de Coimbra os mais conceituados mestres arquitectos, escultores e pintores, como Diogo de Castilho, Machim e João de Ruão, Cristóvão de Figueiredo e Vasco Fernandes, para lá dos já citados Boytac, Pires e Chanterenne. Do século XVII data a Sacristia, onde hoje se conservam algumas tábuas quinhentistas.
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