Em 15 sessões em 2008, o PSI 20 já regista uma perda acumulada de 16,87 por cento, terceira maior da Europa.
O abrandamento da economia mundial, ainda uma consequência da crise que marca o mercado imobiliário nos Estados Unidos, parece ser a causa principal da queda acentuada que ontem marcou todas as Bolsas europeias, que registaram quebras entre cinco e oito por cento. Para haver um crash bolsista, é necessário, segundo os especialistas dos mercados financeiros, ocorrer, pelo menos, uma de duas condições: uma queda entre cinco e dez por cento e venda de acções estimulada pelo sentimento de pânico, condições que estiveram ontem presentes na Bolsa portuguesa, na análise de João Queiroz, especialista da J. L. Carregosa (ver entrevista).
Com uma descida de quase seis por cento, o PSI 20 fechou a sessão com 10 823 pontos, um valor igual ao registado em 11 de Dezembro de 2006. E, não menos grave, todos os títulos do PSI 20 registaram descidas, com a Banca a ser o sector mais penalizado. O BCP, por exemplo, caiu 12,23 por cento, para ficar a níveis de Junho de 2005.
Com o aumento dos receios de um abrandamento da economia europeia e norte-americana em 2008, João Queiroz admite que a actual situação nas Bolsas “dependerá dos resultados trimestrais das empresas dos Estados Unidos e europeias”. Segundo este especialista, “no global, todos os investidores que têm apostado nos títulos do PSI 20 são mais penalizados”, ainda que “a deslocalização dos investimentos para produtos como warrants e mercado de futuros permita amenizar as perdas nas acções”.
Ontem, o primeiro-ministro desvalorizou os efeitos da queda da Bolsa no sector financeiro. José Sócrates frisou que hoje “os fundamentos do sector bancário são mais sólidos”. E, apesar de o Governo manter o optimismo para o crescimento económico em Portugal em 2008, António Borges, vice-presidente da Goldman Sachs International, considera que não há razões para um “pessimismo excessivo”, mas alertou que, “quando todo o Mundo está a abrandar, é inevitável [que a economia portuguesa seja também afectada]”.
Por isso, António Borges admite que “é provável que haja alguma desaceleração, mas não uma catástrofe”. E, se assim for, as Bolsas serão também afectadas. in correiodamanha.pt |