O Presidente da República lançou ontem em Varsóvia, durante um seminário diplomático, um aviso ao Governo sobre a necessidade de se "reforçar a rede consular e diplomática por ser um investimento fundamental para a promoção dos activos políticos, económicos e culturais do País".
Luís Amado, que estava presente, não reagiu, pois minutos antes tinha dito aos jornalistas que Portugal "tem uma boa rede de representação diplomática" na Europa Central e de Leste. Mas as declarações de Cavaco Silva referiam-se a toda a rede consular portuguesa e foi ainda mais preciso nas suas observações: "Em minha opinião é um investimento que, tendo em atenção os recursos financeiros utilizados, está muito longe de outras despesas públicas e terá porventura um grau de retorno substancial". O Presidente alerta assim para a política do Governo, que passa pelo corte de verbas na rede consular e por uma redução do orçamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mais tarde, em declarações aos jornalistas, o Chefe de Estado esclareceu que se referiu mais uma vez ao caso porque é um investimento importante e recusou tratar-se de uma crítica a Luís Amado, a quem elogiou horas antes pela organização do seminário diplomático. Cavaco afirmou ainda acreditar "que o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros não deixará de ter isso em conta [...] agora que vai haver Orçamento do Estado para 2009." A polémica da reestruturação da rede consular começou no Governo de Durão Barroso e agravou-se com o de José Sócrates. No ano passado o Governo determinou o encerramento de 12 consulados. Decisão que não agradou nem à Oposição nem aos emigrantes, que saíram à rua em protesto contra o fecho dos consulados. Só em França foram encerrados quatro consulados: Orléans, Tours, Versailles e Nogent. Foram extintos ainda os consulados de Madrid, Bilbao (Espanha), Milão (Itália), Santos (Brasil), Durban (África do Sul), Hamilton (Bermudas) e Windhoek (Namíbia). Esta não é a primeira vez que Cavaco Silva alerta para a necessidade de se apostar na rede consular. Na véspera das comemorações do Dia de Portugal, no ano passado, o Presidente advertiu que "o Estado português não pode alhear-se nem demitir-se de resolver os problemas dos emigrantes". Saiba mais clicando aqui |